Vendas desaceleram e ação recua, mas bancos reforçam compra de Vivara (VIVA3)
O balanço da Vivara (VIVA3) deixou o mercado dividido. Apesar da joalheria ter apresentado um desempenho operacional considerado sólido no segundo trimestre de 2026, a desaceleração das vendas e a pressão sobre as despesas continuam alimentando dúvidas entre investidores.
Na tarde desta quinta-feira (6), as ações da Vivara caíam cerca de 2,87%, no patamar de R$ 21,65, às 14h30.
A empresa registrou lucro líquido de R$ 156,7 milhões no segundo trimestre deste ano, o que representa uma leve alta de 0,9% ante igual período do ano passado.
Por sua vez, o Ebitda apresentou avanço de 4,9% na mesma comparação, para R$ 205,4 milhões. Já a receita operacional líquida da companhia totalizou R$ 833,1 milhões no trimestre, um crescimento de 9,5% ante o segundo trimestre de 2025.
Ainda assim, Bank of America, Citi e Itaú BBA mantiveram recomendação de compra para as ações, apostando em uma melhora do cenário no segundo semestre.
O BofA e o Citi estabeleceram o preço-alvo de R$ 32, já o Itaú fixou em R$ 33. Na visão das três instituições, embora o trimestre tenha trazido desafios, o valuation da Vivara e as perspectivas para os próximos meses sustentam uma visão positiva.
Um destaque para o BofA e o BBA foi a Copa do Mundo. Segundo os analistas, o evento prejudicou as vendas, especialmente por ter coincidido com o Dia dos Namorados, reduzindo o horário de funcionamento das lojas.
Na visão dos bancos, sem o mundial, o desempenho comercial teria superado as expectativas de forma mais significativa. De acordo com o Citi, o crescimento da receita bruta teria sido de 12,5%, em linha com suas projeções.
A desaceleração das vendas foi o principal ponto de atenção do trimestre. O BBA destacou que a receita bruta cresceu 10,6%, abaixo de sua expectativa, embora a margem bruta tenha surpreendido positivamente e compensado parte da frustração com o desempenho comercial.
Na mesma linha, o Citi afirmou que a receita ficou abaixo de suas projeções, mas ressaltou que a margem bruta de 71,8% e o controle das despesas operacionais sustentaram um EBITDA ligeiramente acima do esperado.
Já o Bank of America atribuiu a queda do EBITDA ajustado na comparação anual ao aumento dos gastos com pessoal, decorrente da expansão da rede Life, e das despesas com marketing.
Os três bancos concordam que a Life continua crescendo acima da Vivara, embora em ritmo mais moderado.
Na opinião dos analistas, as preocupações com a desaceleração das vendas devem persistir no curto prazo, mas um calendário mais favorável no segundo semestre, novos produtos, a melhora da geração de caixa e o valuation descontado sustentam uma visão positiva para as ações da Vivara.
*Com supervisão de Juliana Américo