Vivo (VIVT3) cai 18% e Itaú BBA corta preço-alvo; competição preocupa
As ações da Vivo (VIVT3) caíram cerca de 18% desde a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, no final de julho.
Na visão do Itaú BBA, a reação do mercado foi motivada por um ambiente de competição mais acirrada no setor de telecomunicações, que colocam em dúvida a continuidade da recuperação observada nos últimos anos.
O banco recomenda cautela sobre os papéis da Vivo, mantendo uma posição neutra. Os analistas revisaram o preço-alvo de R$ 38 para R$ 35, ao final de 2027. O relatório considera a cotação de R$ 29,70, representando um potencial de valorização de 17,6%.
Segundo o BBA, a Vivo ainda apresenta características favoráveis em relação ao mercado. A companhia possui forte exposição às regiões Sudeste e Sul, onde detém 47% e 39% da participação nos acessos pós-pagos, respectivamente.
Na avaliação, essa presença em regiões com melhores condições econômicas pode ter contribuído para a resiliência da empresa no segundo trimestre, quando a receita de serviços móveis (MSR) cresceu 6,6% na comparação anual.
Apesar disso, o cenário competitivo preocupa. A análise do Itaú BBA com dados da Anatel mostra que a Vivo ganhou participação no mercado pós-pago apenas em São Paulo, enquanto a Claro avançou em nove dos dez maiores estados brasileiros.
Outro ponto de atenção é o avanço de ofertas mais baratas no mercado, que aumenta o risco de migração dos clientes para planos de menor valor. Além disso, a ausência de reajustes nos planos controle no segundo semestre de 2026 pode indicar que o poder de precificação das operadoras está perdendo força.
O principal risco, segundo o banco, não está necessariamente em uma forte deterioração dos resultados, mas na possibilidade de que uma recuperação mais fraca do mercado leve os investidores a atribuírem múltiplos menores à Vivo.
Em um cenário de crescimento da Receita de Serviços Móveis (MSR) abaixo da inflação em 2027, o Itaú BBA estima um impacto de aproximadamente 6% sobre o EBITDA da companhia.
*Com supervisão de Juliana Américo