Wall Street fecha no vermelho com juros longos no maior nível em 24 anos
Os índices de Wall Street tiveram mais um dia negativo com os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os Treasuries, nas máximas em mais de duas décadas, em meio à expectativa de juros elevados por mais tempo.
Confira o fechamento:
- S&P 500: -0,16%, aos 7.671,18 pontos;
- Dow Jones: -0,25%, aos 51.350,99 pontos;
- Nasdaq: -0,09%, aos 26.797,541 pontos.
Juros nos EUA
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, ampliaram os fortes movimentos com as apostas em novas altas nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) e novas declarações de dirigentes do Fed
O rendimento do Treasury de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — continuou negociado no maior nível desde 2007, enquanto o yield do título de 30 anos, referência para hipotecas de longo prazo, atingiu 5,613%, no maior patamar desde julho de 2002.
Ao longo do dia, os investidores acompanharam uma série de declarações de autoridades do Fed. Entre eles, o presidente da unidade do BC de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que permitir que a inflação permaneça acima da meta do Fed por 5,5 anos é “brincar com fogo”.
O diretor Michael Barr também voltou a defender novos aumentos nas taxas de juros, observando que os altos preços da energia e o aumento repentino nos investimentos relacionados à inteligência artificial (IA) fizeram com que “nos desviássemos do rumo” no avanço em direção à meta de inflação de 2%.
“Ainda não vejo uma tendência clara para um retorno oportuno aos 2%”, disse Barr em discurso preparado para ser proferido no Detroit Economic Club. “Precisamos recalibrar a política monetária para nos colocarmos em uma posição melhor, que equilibre de forma mais uniforme os riscos para ambos os componentes de nosso duplo mandato”, afirmou.
Perto do fechamento, os agentes financeiros observavam 51,5% de chance de o Fed elevar os juros em 25 pontos-base na próxima decisão, em outubro. Para dezembro, a aposta majoritária também é de alta nas taxas, com probabilidade de 91,7%. Hoje, as taxas dos juros estão na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano.
De olho nos dados
Entre os dados, a confiança do consumidor caiu para o nível mais baixo em mais de 12 anos em setembro. O Conference Board informou que seu índice de confiança do consumidor despencou 6,7 pontos neste mês, para 81,9, nível mais baixo desde 2014. Economistas consultados pela Reuters previam leitura de 89,2.
Já as vagas de emprego em aberto caíram em 256 mil, para 7,079 milhões, no último dia de agosto, segundo o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho, em seu relatório Jolts. Os economistas consultados pela Reuters previam 7,225 milhões de vagas em aberto em agosto. A taxa de vagas de emprego caiu de 4,4%, em julho para 4,3%.
Ao longo da semana, novos dados de inflação e emprego podem reforçar — ou não — a perspectiva de juros elevados por mais tempo. A expectativa é de divulgação do Índice de Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), principal referência de inflação para o Fed, amanhã (30), e o relatório de empregos não-agrícolas (payroll) na sexta-feira (2).