Petróleo vai ao maior nível desde julho e Wall Street fica no vermelho
Wall Street engatou mais um pregão negativo nesta quarta-feira (9), pressionado pela disparada dos preços do petróleo e avanço dos rendimentos dos Treasuries para máximas históricas, em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: -0,77%, aos 52.381,02 pontos;
- S&P 500: -0,48%, aos 7.636,46 pontos;
- Nasdaq: -0,64%, aos 26.253,34 pontos.
Petróleo acima de US$ 100
Os preços do petróleo subiram pelo sétimo dia consecutivo: o contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para novembro fechou com alta de 3,36%, a US$ 101,21 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, no maior nível desde o final de julho.
Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para outubro subiu 3,25%, a US$ 96,05 o barril.
Mais cedo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado 10 navios petroleiros após os EUA anunciarem ter destruído cinco navios iranianos. Essa é a maior onda de ataques recíprocos na via marítima desde o início da guerra, que já dura seis meses.
Com a escalada dos preços do petróleo, os investidores aumentaram as preocupações com a inflação e reforçaram a precificação de uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) na próxima decisão, em 16 de setembro.
Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 60,2% de chance de o Fed elevar os juros em 25 pontos-base na próxima decisão. A probabilidade de manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75% é de 39,8%.
Treasuries em alta
No mercado de títulos, os rendimentos dos Treasuries voltaram a renovar máximas históricas ao longo do pregão.
Em destaque, o rendimento (yield) do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — atingiu 4,839%, no maior nível desde novembro de 2023.
O yield de 30 anos, referência para o mercado de hipotecas de longo prazo, também subiu para 5,292%, enquanto o yield de dois anos, que é mais sensível à política monetária, opera com alta de 1 ponto-base em relação ao fechamento, a 4,415%.
Pela manhã, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar a recompra de US$ 6 bilhões em títulos de 10 e 20 anos. A operação está prevista para a próxima amanhã (10) e o valor é o triplo do montante habitual.
O Tesouro também informou que as operações futuras custarão pelo menos US$ 4 bilhões.
No mês passado, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o órgão dobraria, no mínimo, as recompras de títulos de prazo mais longo e destacou que valor pode ser superior a US$ 4 bilhões por emissão. As operações de recompra entraram em vigor hoje e devem se estender até 4 de novembro.
À espera de dados de inflação
O mercado também operou à espera de novos dados de inflação. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) será divulgado na próxima sexta-feira (11).
Para o UBS GW, o dado será decisivo para reforçar ou enfraquecer a perspectiva de uma alta de juros pelo Fed.
Na avaliação de estrategistas do banco, após três meses de leituras relativamente benignas do CPI núcleo na comparação mensal — 0,21% em maio, -0,02% em junho e 0,22% em julho —, provavelmente seria necessária uma nova leitura contida da inflação para desestimular o Fed a elevar os juros ainda este mês.