Wall Street opera sem direção única com ‘sell-off’ de semicondutores e à espera de Fed
Os índices de Wall Street começaram o pregão desta terça-feira (28) em tom misto com forte pressão vendedora sobre o setor de semicondutores, em meio a incertezas sobre a sustentabilidade dos investimentos massivos em infraestrutura de inteligência artificial (IA).
Com o ‘sell-off‘ em IA. a Apple (AAPL) ultrapassou Nvidia (NVDA) e voltou a ser a empresa mais valiosa do mundo.
Confira o desempenho dos índices logo após a abertura:
- Dow Jones: +0,69%, aos 52.572,84 pontos;
- S&P 500: -0,14%, aos 7.402,89 pontos;
- Nasdaq: +0,64%, aos 24.771,804 pontos.
O que mexe com Wall Street hoje?
A trégua nos ataques entre Estados Unidos e Irã continua no radar.
Em destaque, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyyed Abbas Araqchi, teve conversas telefônicas separadas com Faisal bin Farhan, da Arábia Saudita, e Badr Al-Busaidi, de Omã, sobre “os mais recentes desenvolvimentos bilaterais e regionais”, de acordo com um comunicado do Telegram.
Segundo ele, as conversas “enfatizaram a necessidade de fortalecer a cooperação e avançar nos esforços diplomáticos conjuntos para estabelecer a estabilidade na região e eliminar a insegurança imposta ao Estreito de Ormuz pelas ações agressivas dos Estados Unidos”.
De acordo com a Reuters, Omã também apresentou uma proposta para a criação de um mecanismo regional conjunto para a gestão do Estreito de Ormuz, com taxas voluntárias. Além disso, o Irã não exerceria o controle exclusivo dessa via navegável.
Na tarde de ontem (27), o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que está mantendo “boas conversas” com o Irã. Em resposta, Teerã, por sua vez, fez comentários semelhantes sobre retaliação.
Em reação, os preços do petróleo estendem as perdas da véspera, mas de forma moderada. Por volta de 10h (horário de Brasília), os contratos mais líquidos do Brent, referência para o mercado internacional, para outubro caíam 2,03%, a US$ 84,14 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para setembro tinham recuo de 1,72%, a US$ 81,18 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, no mesmo horário.
Os balanços corporativos também ficam no radar: Amazon, Apple, Meta Platforms e Microsoft divulgam os resultados do segundo trimestre ao longo da semana.
Expectativa pelo Fed
Amanhã (29), o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) divulga uma nova decisão de política monetária. O mercado espera uma nova manutenção nos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders veem 66,3% de chance de juros inalterados pelo Fed, nesta manhã. Já para a decisão de setembro, a aposta majoritária segue de ajuste para cima (77,4%).
O ING também espera uma manutenção das taxas. “Consideramos as expectativas de inflação suficientemente controladas para nos deixar tranquilos. Além disso, a estrutura da curva de juros não indica um ciclo de alta das taxas. Especificamente, o título de 5 anos está com patamar elevado em relação à curva”, afirmou Padhraic Garvey, chefe regional de research para as Américas do ING em nota enviada a clientes nesta manhã.
“É incomum o Fed iniciar um ciclo de aumento de juros com os títulos de 5 anos mais próximos da curva. Se estivermos errados e o Fed de fato aumentar os juros (seja nesta reunião ou na próxima), a estrutura da curva sugere que quaisquer aumentos realizados serão posteriormente revertidos, e a taxa básica de juros acabará sendo menor do que é hoje dentro de um período de 12 meses”, acrescentou.
O ING também avalia que a aversão do presidente do Fed, Kevin Warsh. ao forward guidance aumenta a percepção dos mercados de risco de surpresas no dia da reunião.