Comprar ou vender?

XP acende alerta para esta varejista e reduz estimativas de lucro em até 30%

18 ago 2026, 10:39
Grupo Mateus empresas varejo
(Imagem: Grupo Mateus/Divulgação)

A XP Investimentos rebaixou a recomendação das ações do Grupo Mateus (GMAT3) de compra para neutro e reduziu o preço-alvo para o fim de 2027 para R$ 5 por ação, o que representa um potencial de valorização de 26,5% em relação ao fechamento da segunda-feira (17).

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Segundo a corretora, a varejista deve enfrentar um ambiente macroeconômico mais adverso nos próximos anos, com impactos sobre o consumo e sobre a capacidade de expansão das margens.

Na avaliação dos analistas Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, a companhia está particularmente exposta a fatores que podem pressionar a renda de seus consumidores, em razão de sua forte presença nas regiões Norte e Nordeste.

Entre os principais riscos apontados estão a redução do benefício médio do Bolsa Família, a ausência de perspectiva de reajustes relevantes no curto prazo e uma dinâmica inflacionária menos favorável.

A XP destaca que os nove estados onde o Grupo Mateus atua estão entre os 12 com maior participação do Bolsa Família na renda média per capita. O Maranhão, estado de origem da companhia e responsável por quase metade de sua base de lojas, aparece como um dos mais dependentes do programa social.

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De acordo com o relatório, o benefício médio do Bolsa Família acumulou queda de cerca de 5% nos últimos três anos. Além disso, os analistas avaliam que o cenário fiscal mais restrito reduz as chances de aumentos expressivos do programa nos próximos períodos.

Outro ponto de preocupação é a mudança no comportamento da inflação. Se em 2023 a companhia se beneficiou da combinação entre inflação geral mais baixa e inflação de alimentos resiliente, o quadro atual seria o oposto.

A XP observa que a aceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nas regiões Norte e Nordeste tende a reduzir o poder de compra das famílias, enquanto a inflação mais fraca dos alimentos limita o crescimento das vendas nas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês).

O banco também menciona fatores adicionais que podem afetar o consumo, como o avanço das apostas esportivas e a maior acessibilidade aos medicamentos da classe GLP-1, utilizados para perda de peso. Segundo os analistas, essas tendências podem representar ventos contrários para o consumo de alimentos.

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A própria administração do Grupo Mateus citou queda de volumes durante a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026.

No período, a companhia reportou lucro líquido de R$ 237 milhões, alta de 11,2% ante o trimestre anterior, mas queda de 39,3% na comparação anual.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) pós-IFRS 16 somou R$ 682 milhões, avanço de 25,5% em relação ao 1T26. Já A receita líquida atingiu R$ 9,85 bilhões, alta de 4,8% no trimestre.

Embora reconheça avanços recentes da companhia em iniciativas de produtividade, governança e controles internos, a XP avalia que será mais difícil sustentar ou ampliar as margens em um contexto de crescimento moderado da receita.

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Diante desse cenário, a instituição revisou para baixo suas projeções financeiras. As estimativas de EBITDA e lucro líquido para 2027 foram reduzidas entre 28% e 30%.

Já para o período de 2026 a 2027, os cortes nas previsões de EBITDA variaram entre 20% e 28%, enquanto as projeções de lucro líquido foram reduzidas entre 30% e 33%.

Apesar de continuar vendo o Grupo Mateus como um operador sólido e com posição dominante em seus mercados de atuação, a XP entende que a relação entre risco e retorno da ação piorou.

Para os analistas, a aceleração das vendas nas mesmas lojas é a principal alavanca para ganhos futuros de rentabilidade, mas esse movimento parece difícil diante das condições macroeconômicas atuais e da elevada exposição geográfica da companhia.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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