3tentos (TTEN3) avança com lojas e promessa de nova planta de etanol; BTG vê companhia como exceção e espera que ação reaja
A 3tentos (TTEN3) continua acelerando seu plano de expansão e pode entregar resultados acima do esperado em 2026, na avaliação do BTG Pactual. O banco reiterou a recomendação de compra, com preço-alvo em R$ 26, para a companhia e manteve o papel como sua principal escolha no setor (top pick).
Em comunicado divulgado ao mercado ontem (22), a empresa informou que já atingiu 81 lojas em operação, ante 75 no fim do primeiro trimestre e 72 um ano atrás.
Além do avanço no varejo agrícola, a 3tentos informou que sua nova usina de etanol de milho em Mato Grosso já processa cerca de 2 mil toneladas de milho por dia e deve atingir a capacidade nominal de 2,8 mil toneladas diárias nas próximas semanas.
A companhia também reafirmou os planos de construir uma nova planta de etanol no Pará.
Por volta de 10h49 desta terça-feira (23), TTEN3 avançavam 2,10%.
Pente-fino nos negócios da 3tentos (TTEN3)
Para os analistas do BTG, o ritmo de abertura de lojas surpreende positivamente e pode elevar as estimativas para o fim do ano. O banco esperava que a companhia encerrasse o segundo trimestre com 77 lojas e 2026 com 83 unidades em operação.
A rápida evolução da produção de etanol de milho também chamou a atenção. Segundo o BTG, caso a usina opere em plena capacidade durante o segundo semestre, a planta poderá encerrar o ano com utilização média superior a 60%, apesar de ter iniciado as operações apenas recentemente.
Diante desse cenário, o banco avalia que o Ebitda (métrica do mercado para avaliar a geração de caixa de uma empresa) de 2026 pode superar R$ 1,7 bilhão, acima da estimativa inicial de menos de R$ 1,5 bilhão. O lucro líquido, por sua vez, poderia ultrapassar R$ 900 milhões.
Nesse cenário, a ação negociaria a menos de 8 vezes o lucro projetado para 2026, um múltiplo considerado atrativo para uma empresa que deve entregar crescimento de receita de dois dígitos e retorno sobre patrimônio (ROE) consistente na faixa de dois dígitos elevados.
Apesar da melhora nas perspectivas operacionais, as ações acumulam queda de cerca de 12% no ano. Para o BTG, o desempenho do papel não reflete a trajetória esperada dos resultados da companhia.
“A 3tentos tem sido uma exceção em um ano difícil para o agronegócio, levando em conta a valorização do real, aumento dos custos de insumos e preços das commodities ainda sem força para reagir”, destacam os analistas, citando a recuperação das margens no varejo de insumos, os ganhos de participação de mercado e a melhora dos spreads de esmagamento no primeiro trimestre deste ano (1T26).
O principal risco para a tese continua sendo a execução, algo comum em empresas que crescem em ritmo acelerado. Ainda assim, nos últimos cinco anos, a 3tentos tem consistentemente superado as expectativas.