A grande solução do produtor rural para acessar crédito em 2026, segundo a TerraMagna
Diante de um cenário de margens apertadas, juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito, o produtor rural deve recorrer a novas estruturas financeiras para garantir liquidez em 2026 — e uma delas desponta como protagonista.
Segundo David Telio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna, o modelo de Sale & LeaseBack via Fiagro imobiliário tende a ser a principal solução para destravar recursos no campo.
A estrutura funciona com a venda da propriedade para um fundo, que devolve o ativo ao produtor por meio de arrendamento, mantendo ainda uma opção de recompra futura. Na prática, o mecanismo permite transformar patrimônio em caixa sem interromper a operação.
“Depois de tentar crédito com bancos, cooperativas e fornecedores ao longo de 2024 e 2025, muitos produtores agora buscam alternativas usando o próprio patrimônio para gerar liquidez, quitar dívidas e seguir produzindo”, afirma.

O movimento ganha força em um momento de pressão generalizada na cadeia do agronegócio. Com custos elevados — especialmente com diesel e fertilizantes — e alta alavancagem, produtores, distribuidores e cooperativas têm recorrido a diferentes formas de financiamento para atravessar o ciclo atual.
Nesse contexto, os Fiagros imobiliários vêm avançando rapidamente e já representam uma fatia relevante das emissões no mercado, impulsionados pelo tíquete elevado das operações.
Para a TerraMagna, a tendência é de continuidade desse crescimento, mas com uma mudança importante: maior rigor na análise de crédito, exigência de garantias mais robustas e seleção mais criteriosa dos tomadores.
“Não é que o crédito vai sumir — ele vai ficar mais seletivo. E estruturas como o sale leaseback devem ganhar ainda mais espaço justamente por oferecerem segurança ao investidor e liquidez ao produtor”, diz Teixeira.
O momento do agronegócio
Telio ressalta que o cenário atual de margens apertadas deve até piorar se levarmos em conta que a cadeia como um todo está alavancada, seja o produtor, distribuidor de insumos, cooperativas e indústria de insumos.
“A preocupação do setor esse ano é efetivamente os impactos sobre o diesel pela guerra no Oriente Médio. O agro é muito dependente do combustível seja da porteira para dentro como também no transporte de insumos, cargas e da produção nas rodovias”.
A outra preocupação fica por conta dos fertilizantes. Segundo o diretor da TerraMagna, apenas 47% dos fertilizantes para safra de soja 2026/2027 chegaram no Brasil.
“Estamos realmente dependentes dessa questão e agora com essa escassez, temos um aumento de 50% em média nos preços dos fertilizantes, e isso aperta ainda mais o setor”.
Apesar do aperto financeiro, Telio salienta que o setor não pode deixar de plantar. “Costumamos dizer que quem quebra é o produtor e não a fazenda. A fazenda vai continuar produzindo, seja por ele ou por terceiros. O prejuízo de não plantar em uma área aberta é muito maior quando não há plantio, como o surgimento de doenças”.
Há 36 anos no setor, o diretor da TerraMagna aponta que todo o segmento está financiando dívidas de anos anteriores para superar as dificuldades e superar os desafios do ano.
“Conheço casas e investidores de Assets que tiveram perdas por conta de recuperações judiciais e inadimplência. Mas olhando o setor como um todo, não dá para deixar de investir no setor que mais responde pelo PIB”.
É hora de investir em Fiagros?
A Empiricus Research adotou uma postura mais cautelosa em relação aos Fiagros e decidiu zerar a exposição ao segmento em sua carteira de renda imobiliária na última virada de mês.
Segundo o analista Caio Nabuco, a mudança de visão reflete principalmente o aumento das incertezas no cenário global, com impactos diretos sobre a cadeia do agronegócio.
“A instabilidade na cadeia de suprimentos, provocada pela volatilidade global e pelo contexto de guerra, tem pressionado custos, especialmente para os produtores, com possíveis efeitos ao longo de toda a cadeia”, afirma.
Na avaliação da casa, esse ambiente tende a tornar 2026 mais desafiador para o segmento de crédito dos Fiagros.
Além disso, fatores como despesas financeiras elevadas e margens já comprimidas em partes da cadeia produtiva aumentam o risco de estresse no setor.
Apesar de reconhecer que algumas carteiras de Fiagros já demonstraram resiliência ao longo do tempo, a Empiricus entende que o atual conjunto de riscos justifica uma postura mais defensiva no momento.