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Academia cobra R$ 2,5 mil por mês, limita alunos e aposta em atendimento individual para crescer no Itaim

22 ago 2026, 8:00
A academia Sett, fundada por Flávio Settanni, se tornou um dos endereços preferidos dos executivos da Faria Lima para treinar musculação - Imagem: Divulgação/ Sett Academia/ Edição feita por IA

Enquanto novas academias premium disputam clientes com saunas, banheiras de gelo e serviços de recuperação muscular, uma academia do Itaim Bibi, em São Paulo, aposta em um modelo mais tradicional: musculação, poucos alunos e um treinador disponível para acompanhar cada cliente.

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A Sett cobra cerca de R$ 2,5 mil por mês e mantém sua base em aproximadamente 500 alunos. A academia conta com cerca de 50 professores circulando diariamente pelo espaço para atender os frequentadores de forma individualizada, sem necessidade de agendamento prévio.

O modelo é parte central da estratégia do negócio. Em vez de buscar o maior número possível de clientes, o fundador Flávio Settanni prefere limitar a capacidade para preservar o atendimento — uma escolha que também restringe o potencial de expansão da empresa.

“Às vezes quero abrir outra unidade. Em outras, desisto. Já pensei em expandir para fora de São Paulo, mas não consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo. Gosto de acompanhar de perto tudo o que acontece aqui”, afirma Settanni.

R$ 2,5 mil por mês para treinar

Inaugurada em 2010, a Sett ocupa mais de 1 mil metros quadrados entre as avenidas Faria Lima e Juscelino Kubitschek, em uma das regiões mais valorizadas de São Paulo.

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A mensalidade gira em torno de R$ 2,5 mil. A matrícula custa R$ 1.300 e dá direito à escolha entre uma avaliação com nutricionista, uma consulta com fisioterapeuta ou um teste genético.

Mas, segundo o fundador, o principal diferencial não está nesses serviços adicionais.

A proposta é que o cliente encontre um professor disponível durante o treino. O acompanhamento individualizado já está incluído na experiência da academia, em vez de funcionar como um serviço adicional contratado separadamente.

Para manter esse padrão, a Sett trabalha com aproximadamente 50 professores e limita a quantidade de alunos ativos a cerca de 500.

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A empresa já chegou a ter mais de cem pessoas na fila de espera.

Negócio cresceu junto com a Faria Lima

Quando abriu as portas, em 2010, a região tinha uma configuração bastante diferente da atual. O Itaim Bibi ainda era predominantemente residencial e tinha menos prédios comerciais.

O público inicial da academia era formado principalmente por moradores de alta renda do bairro. Com a expansão dos escritórios e a consolidação da Faria Lima como centro financeiro, o perfil dos clientes mudou.

Hoje, boa parte dos alunos trabalha nas empresas instaladas na região e encaixa o treino antes, durante ou depois do expediente. A academia também passou a atrair estudantes de universidades próximas, como Insper e Link School.

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A história da Sett começou, porém, antes da abertura da unidade.

Settanni trabalhou durante anos como treinador em grandes redes e identificou uma insatisfação dos clientes com o modelo tradicional de atendimento. Começou então a montar equipes para acompanhar alunos individualmente em academias de condomínios de luxo e nas próprias redes onde trabalhava.

A demanda cresceu até que a equipe já não conseguia atender todos os interessados. Foi quando surgiu a ideia de abrir um espaço próprio.

Academia premium muda de estratégia

O mercado em que a Sett atua também mudou desde 2010.

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Academias de alto padrão passaram a incorporar serviços inspirados no segmento de wellness, como saunas, banhos de gelo, botas de compressão, espaços de recuperação muscular, alimentação e outros serviços voltados à experiência do cliente.

Na região, a competição aumentou com novas unidades de grandes redes e academias premium. A Six Itaim, por exemplo, trabalha com mensalidades próximas de R$ 4 mil.

A Sett decidiu não entrar diretamente nessa disputa por quantidade de serviços. A estratégia continua concentrada na musculação e no atendimento individual.

A academia pretende incorporar equipamentos de recuperação muscular ainda neste ano, mas como complemento ao treinamento. “Costumo dizer que não existe wellness sem fitness”, afirma Settanni.

O dilema entre crescer e preservar o negócio

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A estratégia coloca a Sett diante de uma questão comum a negócios de serviços premium: crescer pode significar diluir justamente o atributo pelo qual os clientes estão dispostos a pagar mais.

Com cerca de 500 alunos e uma fila de espera que já passou de cem pessoas, existe demanda para ampliar a operação. Mas aumentar a base exigiria contratar mais professores ou reduzir o nível de atendimento.

Durante a pandemia, a academia chegou a oferecer treinos online gratuitamente para manter os clientes ativos. A estratégia contribuiu para a fidelização e para a retomada das atividades presenciais.

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Jornalista formada pela FIAM-FAAM, com especialização em Jornalismo de Dados pelo Insper. Foi repórter da revista Vogue Brasil e teve passagens pelas redações do UOL e da Editora Caras. Cobre temas ligados ao universo lifestyle, como viagens e gastronomia
Jornalista formada pela FIAM-FAAM, com especialização em Jornalismo de Dados pelo Insper. Foi repórter da revista Vogue Brasil e teve passagens pelas redações do UOL e da Editora Caras. Cobre temas ligados ao universo lifestyle, como viagens e gastronomia

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