Ação favorita do BTG Pactual pode subir até 43% na bolsa de valores; veja qual
O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para as ações da Tenda (TEND3) e manteve a companhia como sua principal escolha (top pick) entre as construtoras voltadas à baixa renda.
O banco tem preço-alvo de R$ 44 para os papéis para os próximos 12 meses, o que representa um potencial de valorização de aproximadamente 43% frente à cotação atual, de R$ 31.
Desde o início de 2026, a empresa avança mais de 33% na bolsa de valores (B3), enquanto, no acumulado dos últimos 12 meses, a alta supera 120%. Acompanhe o tempo real.
Em relatório, o BTG afirma que a Tenda entrou em uma nova fase após atravessar ciclos desafiadores e processos relevantes de reestruturação, também conhecidos no mercado financeiro como turnaround.
Agora, na visão dos analistas Gustavo Cambauva, Gustavo Fabris e Antonio Pascale, que assinam o documento, a empresa está mais eficiente, com geração de caixa positiva e rentabilidade em franca recuperação. “Vemos a Tenda transitando de uma história de turnaround para uma operação estruturalmente mais rentável”, escreveram.
O trio relembra que um dos momentos mais críticos da companhia ocorreu entre 2021 e 2022, quando, durante a pandemia de covid-19, a disparada dos custos de construção pressionou fortemente os resultados.
Com um modelo mais exposto a insumos como aço, cimento e alumínio, a construtora foi particularmente impactada pela inflação do setor, o que levou a estouros de orçamento relevantes e margens negativas no período.
Além disso, a empresa enfrentou limitações para repassar esses custos aos preços dos imóveis, já que atua majoritariamente nas faixas mais baixas dos programas habitacionais, com tetos definidos.
Esse cenário deteriorou a rentabilidade e afetou a confiança dos investidores, marcando um dos períodos mais desafiadores da história recente da companhia.
Segundo o relatório, porém, o negócio principal do grupo, voltado à construção de imóveis populares, voltou a operar em níveis mais próximos aos concorrentes.
A virada começou a ganhar força a partir de 2022 devido a mudanças relevantes nos programas governamentais, como o próprio Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que ampliaram subsídios e melhoraram as condições de financiamento.
Esse novo ambiente permitiu à Tenda recompor preços e recuperar margens, em um cenário de custos também mais controlados.
Ao mesmo tempo, a empresa promoveu ajustes internos para melhorar a execução operacional. Um deles é o modelo construtivo adotado pela construtora, que é baseado em formas de alumínio.
Nesse sistema, moldes são feitos no formato das paredes e da estrutura do imóvel e o concreto é despejado dentro dessas formas.
Na prática, o método segue uma lógica mais industrializada de construção, com montagem padronizada, o que reduz a necessidade de mão de obra, acelera o ritmo dos projetos e ajuda a diminuir gastos.
Hoje, por exemplo, a mão de obra representa cerca de 33% do custo de construção da Tenda, abaixo dos aproximadamente 45% observados em métodos tradicionais, como a alvenaria estrutural.
Recuperação bem-sucedida
O BTG destacou que a Tenda encerrou 2025 com retorno sobre o patrimônio (ROE) de 35%, e, na avaliação do banco, deve continuar expandindo margens, apoiada por um ambiente ainda mais favorável para o Minha Casa, Minha Vida.
O banco também pontuou que o balanço da construtora deixou de ser uma preocupação, após redução relevante da alavancagem e retomada da geração de caixa. Com isso, os riscos que antes pressionavam a tese de investimento perderam força.
Alea: uma opção gratuita
Outro ponto central do relatório é a Alea, unidade de construção industrializada do grupo. Apesar de ainda apresentar prejuízos, os analistas avaliam que o mercado atribui pouco valor ao negócio, o que pode abrir espaço para ganhos adicionais caso a operação avance.
Em 2025, a marca registrou prejuízos e queima de caixa, falhando em cumprir seu guidance original devido a dificuldades na formação de banco de terrenos e na redução de custos.
Segundo o BTG, a empresa, no entanto, vem implementando mudanças para estabilizar a unidade, como o aumento da produção interna e a redução da área de atuação de sete para três regiões, com foco em Ribeirão Preto, Bauru e Campinas, para diminuir a complexidade operacional.
O banco espera uma redução das perdas em 2026 e destaca que o quarto trimestre de 2025 (4T25) já mostrou melhora, com queima de caixa de R$ 20 milhões, abaixo dos R$ 28,1 milhões observados nos três meses anteriores.
A expectativa da casa é que o negócio atinja o ponto de equilíbrio (breakeven) de fluxo de caixa em 2027.
Em entrevista recente concedida ao Money Times, o CFO da Tenda, Luiz Mauricio de Garcia, detalhou a estratégia do grupo para zerar a dívida, aumentar o lucro e turbinar os dividendos. Confira aqui.