Ações da Marcopolo (POMO4) sobem mais de 3% após balanço bater expectativas; o que fazer agora?
Após superar as expectativas com os resultados do quarto trimestre de 2025, as ações da Marcopolo (POMO4) operam na ponta positiva do Ibovespa (IBOV) no pregão desta quinta-feira (26). Por volta de 12h30 (horário de Brasília), POMO4 subia 3,60%, a R$ 6,90. Analistas seguem divididos entre recomendação de compra e “neutra”.
A fabricante de carrocerias de ônibus registrou lucro líquido de R$ 341,7 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), valor 7,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A receita operacional líquida foi de R$ 2,57 bilhões, 3,6% abaixo do valor do quarto trimestre do ano anterior.
O BTG Pactual acredita que o quarto trimestre da companhia proporcionou um grande alívio para o mercado, uma vez que, desde o terceiro trimestre, analistas vinham incorporando um fechamento de ano mais fraco, dado o histórico desafiador do 4T24.
“Os dados setoriais, principalmente da Fabus, corroboravam essa expectativa, com volumes menores e mix mais fraco. Ainda assim, os números do 4T vieram acima das nossas estimativas, não tanto em receita, mas em Ebitda e lucro líquido. Este último superou nossa projeção em 17%, sendo, em nossa visão, o principal destaque do trimestre”, destacam os analistas.
O banco alerta que ainda existem ventos contrários para 2026: a Marcopolo já antecipou um primeiro trimestre mais fraco, tendo em vista uma demanda fraca por rodoviários e o câmbio desfavorável para exportações.
“Por outro lado, as perspectivas de volumes de micro-ônibus são sólidas e o segmento urbano pode se beneficiar das discussões do governo sobre transporte público. No geral, a leitura do 4T foi claramente positiva em nossa visão”, colocam os analistas.
O BTG Pactual tem recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 10.
O Bradesco BBI também faz uma leitura positiva do balanço, tendo em vista que as principais linhas superaram as estimativas.
“Apesar de um trimestre sólido, esperamos um desempenho positivo, porém modesto, do preço das ações, uma vez que a mensagem da empresa para 2026 — especialmente para o 1º semestre — permanece fraca”, dizem os analistas.
Dessa maneira, o BBI vê as entregas esperadas relacionadas ao programa Caminho da Escola e aos contratos do Ministério da Saúde como fontes significativas de potencial de alta para essas estimativas fracas do primeiro semestre.
O que manter no radar
O Itaú BBA reforça o coro positivo sobre os números da Marcopolo. Os analistas pontuam que o resultado líquido veio quase 20% acima do esperado, sustentado por um desempenho operacional melhor do que o antecipado, além de surpresas positivas no resultado financeiro e em impostos.
“Os volumes entregues no mercado doméstico apresentaram uma contração menor do que o previsto na comparação anual, enquanto a melhora da rentabilidade no exterior ajudou a sustentar uma margem Ebitda próxima de 18% (ao excluir a linha negativa de equivalência patrimonial)”, dizem os analistas.
Na avaliação da casa, os números do quarto trimestre podem gerar algum potencial de alta para o nível de rentabilidade projetado para 2026 e, consequentemente, para a expectativa de lucro líquido de R$ 1,2 bilhão do consenso. Isso se soma às duas fontes mais iminentes de potencial de alta na receita, diz a casa:
- Pedidos acima do esperado por parte do Ministério da Saúde do Brasil em sua licitação de 3.000 micro-ônibus;
- Participação de mercado superior a 50% no próximo leilão do Caminho da Escola, que ocorre na próxima terça-feira.
O BBA tem classificação outperform para a Marcopolo, equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 10.