Variedades

Acordo Mercosul e União Europeia: Preço do vinho europeu vai cair? Entenda

10 maio 2026, 15:30 - atualizado em 08 maio 2026, 11:31
(Imagem: divulgação)

O aguardado acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que entrou em vigor em 1º de maio, traz uma promessa atrativa para os consumidores: a eliminação gradual das tarifas de importação sobre vinhos europeus, dos atuais 27%, ao longo de até 12 anos.

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No entanto, analistas do setor alertam que o impacto nas prateleiras brasileiras será sentido de forma gradual e moderada, sem reduções abruptas de preço no curto prazo.

O peso dos tributos e a logística

Embora a redução tarifária seja um passo importante para a competitividade, ela é apenas um dos componentes do custo final da garrafa. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), impostos internos (ICMS, IPI, PIS e COFINS), somados a custos logísticos e ao câmbio, podem representar até 50% do valor de uma garrafa de vinho no Brasil.

“A tarifa de importação é relevante, mas está longe de ser o único fator determinante”, explica Fernando Moreira, sommelier da importadora Santo Vino. Para o especialista, a expectativa de queda existe, mas é limitada por essas múltiplas camadas tributárias que não são afetadas pelo acordo internacional.

Mudança de posicionamento e mix de produtos

A tendência é que o mercado passe por um reposicionamento de categorias em vez de uma “guerra de preços”. Rótulos europeus que hoje ocupam faixas de preço elevadas devem migrar para categorias intermediárias, ampliando o acesso, enquanto vinhos de entrada podem se tornar opções mais frequentes para o consumo diário.

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Esse movimento deve intensificar a concorrência com os vinhos do “Novo Mundo”. Atualmente, o Chile lidera as exportações para o Brasil (US$ 213 milhões), valor que supera quase o dobro da soma dos dois maiores fornecedores europeus, Portugal e Itália. A expectativa é que Chile e Argentina reajam reforçando sua identidade de marca e qualidade para manter a competitividade.

Benefícios estruturais para a cadeia

Para além do preço, o acordo promete ganhos estruturais para o setor no Brasil:

  • Importadores: Ganham maior poder de negociação direta com produtores europeus e acesso a portfólios mais competitivos.
  • Varejo: Poderá qualificar o mix de produtos oferecidos e ampliar a oferta de rótulos.
  • Consumidor: Terá acesso a uma maior diversidade de uvas e regiões, incentivando a exploração de novos perfis de terroir e a maturidade do paladar.

Em suma, o principal ganho do acordo Mercosul-UE para o mercado de vinhos é tornar o cenário brasileiro mais sofisticado, competitivo e maduro, impulsionado pelo aumento da concorrência internacional.

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Ricardo Archilha é jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, especialista em cultura, entretenimento e mídias sociais. Já colaborou para veículos como Papel Pop, Hollywood Forever TV e CARAS Brasil.
Ricardo Archilha é jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, especialista em cultura, entretenimento e mídias sociais. Já colaborou para veículos como Papel Pop, Hollywood Forever TV e CARAS Brasil.
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