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Adecoagro (AGRO): fertilizantes são destaque no 2T26, mas forte impulso pode ter chegado ao fim; é compra?

12 ago 2026, 16:03
Adecoagro tether (1)
(iStock.com/Alfribeiro)

A Adecoagro (NYSE: AGRO) apresentou um segundo trimestre de 2026 (2T26) marcado pelo forte desempenho da operação de fertilizantes, mas o resultado veio abaixo das expectativas do BTG Pactual. Para o banco, o trimestre não muda a visão sobre a companhia e o forte impulso de resultados proporcionado pela alta da ureia tende a perder força daqui para frente.

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O BTG manteve a recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de US$ 16 em 12 meses, ante uma cotação de US$ 9,41 considerada no relatório. O valor representa potencial de alta de 70%.

Apesar do potencial, a valiação do banco parte da premissa de que o impulso extraordinário dos fertilizantes está perdendo força. Com a ureia já de volta a níveis próximos do meio do ciclo, a contribuição excepcional que ajudou a impulsionar os resultados recentes da Adecoagro tende a diminuir.

O açúcar e o etanol podem ajudar a compensar parte dessa desaceleração, mas, por enquanto, não são suficientes para mudar significativamente a perspectiva de lucros.

“Com base no que vemos como resultados normalizados de meio de ciclo, o valuation oferece potencial limitado de alta”, veem Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

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A Adecoagro é uma companhia de agronegócio com operações na Argentina, Brasil e Uruguai, atuando em três grandes frentes: açúcar, etanol e energia; fertilizantes; e alimentos e agricultura.

A empresa possui mais de 210 mil hectares próprios e administra mais de 600 mil hectares, além de ativos industriais ligados às diferentes etapas da produção. A Adecoagro é sediada em Luxemburgo e listada na Bolsa de Nova York (NYSE) sob o ticker AGRO.

A operação de fertilizantes ganhou importância na companhia após a aquisição da Profertil, produtora argentina de ureia. A planta tem capacidade para produzir até 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano e atende cerca de 60% da demanda argentina pelo produto, segundo a companhia.

Ebitda cresce 50%, mas fica abaixo do esperado

No segundo trimestre, o Ebitda consolidado da Adecoagro alcançou US$ 173 milhões, alta de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, mas 13% abaixo da estimativa do BTG.

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O lucro líquido ficou em US$ 25 milhões, também abaixo das projeções dos analistas, refletindo o Ebitda menor e maiores despesas de depreciação e financeiras.

A dívida líquida sobre o Ebitda terminou o trimestre em 3,0 vezes, afetada pelo consumo sazonal de capital de giro. O BTG, porém, espera que a alavancagem recue à frente, à medida que o capital de giro seja liberado e o Ebitda dos fertilizantes acumulado em 12 meses melhore.

A própria companhia informou que o Ebitda ajustado atingiu US$ 172,5 milhões no trimestre e US$ 258,3 milhões no primeiro semestre, enquanto a relação entre dívida líquida e Ebitda caiu de 3,2 vezes no primeiro trimestre para 3,0 vezes.

Fertilizantes são o destaque — mas preços já recuaram

O principal destaque do trimestre foi a divisão de fertilizantes. O Ebitda da operação saltou 110% na comparação anual, para US$ 121 milhões, beneficiado principalmente pelos preços mais elevados da ureia.

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O preço médio de venda chegou a aproximadamente US$ 700 por tonelada, bem acima dos US$ 629 por tonelada projetados pelo BTG.

O problema, segundo o banco, esteve nos volumes vendidos: foram 229 mil toneladas, contra 317 mil toneladas no mesmo período do ano passado e 340 mil toneladas produzidas no trimestre.

A companhia, por sua vez, reportou produção de ureia 21,6% maior na comparação anual, para 617 mil toneladas no acumulado do ano, enquanto o preço médio realizado chegou a US$ 699 por tonelada no trimestre, ante US$ 444 por tonelada em 2025.

É justamente nesse ponto que está a principal ressalva do banco.

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Os preços da ureia já recuaram para aproximadamente US$ 480 por tonelada, nível considerado próximo do meio do ciclo. A ureia havia chegado a cerca de US$ 800 por tonelada em abril, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, antes de devolver parte da alta.

“Os preços dos fertilizantes já se normalizaram”, afirmam os analistas, acrescentando que isso sugere que o forte impulso de resultados observado recentemente deve perder força.

Ainda assim, o banco vê espaço para um Ebitda forte na divisão em 2026. Como o Ebitda de fertilizantes já soma US$ 174 milhões no ano, o BTG estima que, aos preços atuais da ureia, a operação pode terminar 2026 perto de US$ 400 milhões, nível semelhante ao registrado em 2023.

Etanol ganha espaço sobre o açúcar

Na operação de açúcar, etanol e energia, a Adecoagro processou 3,5 milhões de toneladas de cana no 2T26, alta de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado do ano, a moagem cresceu 16,8%, para 5,8 milhões de toneladas.

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A empresa também continua priorizando o etanol. O biocombustível representou 68% do mix de produção no trimestre, contra 50% um ano antes, diante de preços relativos mais favoráveis ao etanol em Mato Grosso do Sul.

A estratégia também envolve a formação de estoques. Segundo a companhia, 41% da produção de etanol acumulada no ano estava armazenada, com o objetivo de capturar preços mais elevados no futuro.

Para o BTG, preços mais altos do açúcar e uma provável recuperação do etanol devem oferecer algum suporte aos resultados. Ao mesmo tempo, o cenário pode dar à companhia uma oportunidade melhor para fazer hedge da produção de açúcar da próxima safra.

Ainda assim, os analistas não esperam que esses fatores alterem de maneira relevante as perspectivas de resultados no curto prazo.

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Os custos de produção também merecem atenção. O custo unitário médio acumulado no ano subiu 16%, para 10,4 centavos de dólar por libra-peso, pressionado principalmente pela valorização do real e pelo diesel mais caro. Sem o efeito cambial, porém, os custos teriam permanecido amplamente estáveis.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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