Adeus, B3: Small cap da bolsa será vendida a grupo francês com prêmio de 22% na ação
Uma das small caps negociadas na bolsa de valores, a Mills (MILS3) anunciou, nesta segunda-feira (25), que seus acionistas controladores firmaram um contrato para vender 50,3% da companhia à francesa Loxam SAS, por R$ 16 por ação.
O valor representa um prêmio de 22% em relação à cotação de fechamento dos papéis na última sexta-feira (22) e atribui à empresa um equity value de aproximadamente R$ 3,8 bilhões.
Com a compra do controle, o grupo francês ficará obrigado a lançar uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) para os acionistas minoritários da Mills nas mesmas condições, conforme previsto na legislação e nas regras do Novo Mercado da B3.
Segundo o fato relevante, a família fundadora da small cap “sempre sonhou em perpetuar o seu legado na companhia aproximando-a de players relevantes globais”.
A operação, porém, ainda depende de aprovações regulatórias, incluindo o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e outras condições usuais.
Quem é a Loxam
Fundada em 1967, a Loxam SAS é considerada a maior empresa de locação de equipamentos da Europa, com receita líquida de 2,5 bilhões de euros em 2025, cerca de 11,6 mil funcionários e presença em mais de 28 países.
Com atuação primordialmente voltada aos setores de construção civil, infraestrutura, indústria, energia, eventos e serviços, o grupo francês está presente no Brasil desde 2015, através da Loxam do Brasil e da A Geradora.
Os números da Mills
A Mills reportou receita líquida de R$ 461,2 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), alta de 11,8% frente aos R$ 412,4 milhões registrados em igual período de 2025.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 235,1 milhões, avanço de 13,8% na mesma base de comparação anual.
Em entrevista ao Money Times, que você pode conferir aqui, a CFO e diretora de RI, Renata Vaz, afirmou que o desempenho operacional foi impulsionado pela evolução do modelo de negócios da companhia, que está cada vez mais baseado em contratos de locação de longo prazo e diversificação do portfólio.
No caso do lucro líquido, a small cap reportou um salto de aproximadamente 190% em um ano: de R$ 67,9 milhões, no 1T25, para R$ 197 milhões, no 1T26.
A estratégia da Mills
Tradicionalmente focada na locação de plataformas elevatórias — equipamentos utilizados para trabalho em altura em setores como construção e indústria —, a Mills vem ampliando sua atuação.
“Plataforma elevatória é um mercado endereçável pequeno e a gente já tem um market share relevante. Então, para continuar crescendo como companhia, é mais difícil vindo só desse produto”, disse a CFO à reportagem.
Em meio a esse cenário, a empresa adicionou, recentemente, duas novas frentes de negócio em seu catálogo: linha amarela e empilhadeiras.
A linha amarela, lançada pela small cap em 2022, envolve a locação de máquinas pesadas, como escavadeiras, pás carregadeiras e tratores, voltadas a setores como infraestrutura, agro e mineração.
Já a operação de empilhadeiras, iniciada no meio de 2024, foca na movimentação de cargas, com forte presença no segmento logístico.
De acordo com Vaz, o objetivo é fazer com que essas duas unidades ganhem cada vez mais espaço nos resultados trimestrais, ampliando o mercado endereçável da companhia e contribuindo para o crescimento da receita e do Ebitda – como ocorreu no 1T26.