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Small cap da bolsa avança no 1T26 com alta de receita e Ebitda; o que está por trás da estratégia, segundo a CFO

06 maio 2026, 20:19 - atualizado em 06 maio 2026, 20:19
CFO e diretora de RI da Mills (MILS3), Renata Vaz (Imagem: divulgação Mills)
CFO e diretora de RI da Mills (MILS3), Renata Vaz (Imagem: divulgação Mills)

Uma das small caps negociadas na bolsa de valores, a Mills (MILS3), empresa que atua na locação de equipamentos para construção civil e indústrias, reportou receita líquida de R$ 461,2 milhões no primeiro trimestre (1T26), alta de 11,8% frente aos R$ 412,4 milhões registrados em igual período de 2025.

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Segundo balanço divulgado na noite desta quarta-feira (6), o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 235,1 milhões nos primeiros três meses do ano, avanço de 13,8% na mesma base de comparação.

Em entrevista ao Money Times, a CFO e diretora de RI, Renata Vaz, afirmou que o desempenho operacional foi impulsionado pela evolução do modelo de negócios da companhia, que está cada vez mais baseado em contratos de locação de longo prazo e diversificação do portfólio.

No caso do lucro líquido, a empresa reportou um salto de aproximadamente 190% em um ano: de R$ 67,9 milhões, no 1T25, para R$ 197 milhões, no 1T26.

Apesar do avanço expressivo, a executiva contou que o número foi especialmente beneficiado pelo reconhecimento de créditos tributários.

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“Nesse primeiro trimestre, a gente teve um efeito pontual referente à captura de benefícios tributários, com o reconhecimento de créditos extemporâneos”, explicou.

“Desconsiderando esse efeito, o lucro líquido não seria muito diferente do registrado no primeiro trimestre de 2025”, acrescentou.

A estratégia da Mills

Tradicionalmente focada na locação de plataformas elevatórias — equipamentos utilizados para trabalho em altura em setores como construção e indústria —, a Mills vem ampliando sua atuação.

“Plataforma elevatória é um mercado endereçável pequeno e a gente já tem um market share relevante. Então, para continuar crescendo como companhia, é mais difícil vindo só desse produto”, disse a CFO.

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Em meio a esse cenário, a empresa adicionou, recentemente, duas novas frentes de negócio em seu catálogo: linha amarela e empilhadeiras.

A linha amarela, lançada pela small cap em 2022, envolve a locação de máquinas pesadas, como escavadeiras, pás carregadeiras e tratores, voltadas a setores como infraestrutura, agro e mineração.

Já a operação de empilhadeiras, iniciada no meio de 2024, foca na movimentação de cargas, com forte presença no segmento logístico.

De acordo com Vaz, o objetivo é fazer com que essas duas unidades ganhem cada vez mais espaço nos resultados trimestrais, ampliando o mercado endereçável da companhia e contribuindo para o crescimento da receita e do Ebitda – como ocorreu no 1T26.

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“Hoje, quase metade da receita da Mills vem do produto que a gente chama de plataforma elevatória, que é o nosso carro-chefe. Só que esses equipamentos estão muito concentrados em contratos de curto prazo, dado que ele é mais uma ferramenta de trabalho do que um equipamento de produção”, explicou. “O cliente usa de forma mais pontual, dependendo da necessidade.”

“Diante disso, a gente começou a procurar outras oportunidades que tivessem similaridade com o que a gente faz hoje. Foi aí que a gente buscou tanto esses equipamentos de linha amarela quanto os de empilhadeira”, prosseguiu.

“Os dois são mercados endereçáveis maiores e apresentam essa possibilidade do uso do equipamento estar atrelado a contratos de longo prazo, o que traz previsibilidade de resultado.”

Entre janeiro e março de 2026, as plataformas elevatórias responderam por 48% da receita da companhia, abaixo dos 59% registrados um ano antes.

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Além disso, cerca de 55% da receita da Mills já vêm de contratos com duração superior a 12 meses.

“Isso mostra que estamos crescendo nas outras frentes. Não estamos diminuindo a plataforma elevatória, mas, sim, ampliando a companhia”, afirmou a CFO.

Capex e estratégia conservadora

Apesar da expansão, a Mills mantém uma postura conservadora na alocação de capital: os investimentos (capex) somaram cerca de R$ 100 milhões no 1T26, abaixo dos R$ 170 milhões registrados no mesmo período de 2025.

“A gente está fazendo investimento e, aos poucos, vai mobilizando o resultado frente a esse capex. Então, conforme essas duas unidades de negócio vão tomando corpo, a gente vai mobilizando novos contratos”, contou Vaz.

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“A empresa evita investir sem demanda contratada, justamente para não correr risco de ociosidade”, acrescentou.

Para 2026, a CFO afirmou que a expectativa é de capex entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões, em linha com o aplicado no ano anterior.

Alavancagem recua e caixa ganha força

Outro destaque do balanço do primeiro trimestre foi a redução da alavancagem, para 1,1 vez dívida líquida/Ebitda, ante 1,4 vez no mesmo período de 2025.

A melhora, de acordo com a executiva, foi sustentada pela maior geração de caixa e por uma gestão mais eficiente do endividamento.

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“O nosso custo médio de dívida era CDI +1,44. Hoje, está em CDI +1,08. Além disso, 95% do nosso endividamento está no longo prazo.”

Dividendos à vista?

Nos últimos 12 meses, as ações da Mills acumulam alta superior a 24% na bolsa de valores, refletindo, segundo a executiva, tanto a melhora operacional quanto fatores de mercado, como a entrada dos papéis em índices de small caps.

Nesse período, a companhia também elevou a distribuição de dividendos, encerrando 2025 com payout de cerca de 86% – embora o foco, como deixou claro a CFO, não seja esse.

“A empresa não é conhecida como uma pagadora de dividendos. A gente é muito mais de crescimento. Então, por regra, a gente costuma distribuir o mínimo obrigatório do lucro, que são os 25%”, afirmou Vaz.

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“Mas temos flexibilidade para decidir entre dividendos, M&A, recompra de ações ou novos investimentos, dependendo das oportunidades”, prosseguiu.

Recomendações para Mills (MILS3)

De seis bancos e casas de análise consultados pelo TradeMap, quatro têm recomendação de compra e dois tem recomendação neutra para a Mills (MILS3).

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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