Afya (AFYA) e Yduqs (YDUQ3) anunciam fusão e criam empresa com 1,6 milhão de estudantes e receita de R$ 9,4 bilhões
A Afya (AFYA) e a Yduqs (YDUQ3) anunciaram na noite desta quarta-feira (23) um acordo de fusão que vai juntar a maior empresa de ensino médico com um dos maiores grupos de ensino superior do Brasil. De acordo com comunicado divulgado ao mercado, os acionistas da Afya vão deter 69% da nova empresa combinada, enquanto os atuais acionistas da Yduqs ficam com os outros 31%.
Segundo a empresa, a fusão irá reunir cerca de 1,6 milhão de estudantes (sendo 38 mil alunos de medicina), em 176 campi em todo o país, com ganhos de sinergias de até R$ 2 bilhões. A operação ainda depende de aprovações, entre elas a do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), e as empresas seguem independentes até a conclusão, informaram as companhias.
Com o controle da nova empresa, o atual CEO da Afya, Virgilio Gibbon, vai assumir a posição de CEO da companhia combinada após o fechamento da operação, enquanto o atual CEO da Yduqs, Rossano Marques, assumirá a posição de Presidente de Ensino Superior ex-Medicina. De acordo com comuinicado, Kay Krafft, CEO da Bertelsmann Education, será o presidente do Conselho de Administração.
Controladora da Afya, a alemã Bertelsmann SE & Co. KGaA mantém-se como acionista majoritária da companhia combinada, com 47%. Família Esteves, que fundou a Afya, fica com 8%, enquanto Advent e a Família Zaher — os dois acionistas de referência da Yduqs — passam a ter 5%, respectivamente. O Conselho terá maioria de membros indicados pela Bertelsmann, uma cadeira para cada uma das Famílias Esteves e Zaher e para a Advent, além dos conselheiros independentes, conforme as regras do segmento de Novo Mercado da B3 (mínimo de 20%).
Com a aprovação da fusão, a Afya será incorporada pela Yduqs, e os acionistas da Afya receberão ações da Yduqs, que permanecerá como o veículo listado na B3.
Considerando os doze meses encerrados em junho de 2026 (LTM), a companhia combinada teria receita líquida da ordem de R$ 9,4 bilhões, Ebitda ajustado de cerca de R$ 3,6 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 1,3 bilhão. O segmento premium, com Medicina e Ibmec, responderia por 55% da ROL e por cerca de dois terços do Ebitda da companhia combinada. Cerca de 45% da ROL viria de cursos de graduação em Medicina. A alavancagem pró-forma é de aproximadamente 1,2x dívida líquida/Ebitda ajustado (pré-IFRS 16).
(Des)Concentração local
Antes do anúncio oficial, analistas do JP Morgan não viram problemas antitruste em âmbito nacional.
A Afya detém cerca de 11% das vagas privadas em cursos de medicina no Brasil e a Yduqs, 6%. Juntas, as companhias gerariam uma concentração de 17%, considerada baixa pelo banco, mas bem à frente de Ânima (ANIM3), que tem 5% de participação no mercado.
A ‘preocupação, por sua vez, está em um corte regional: nas cidades de Ji-Paraná (RO), Rio de Janeiro (RJ) e Teresina (PI), a participação combinada seria superior a 45%, o que “poderia forçar algumas alienações caso as autoridades adotem uma perspectiva local”, na visão dos analistas.
“Essas três cidades com sobreposição certamente chamariam a atenção das autoridades antitruste, visto que a participação combinada é elevada, acima dos 20% que o Cade considera como baixo impacto para uma sobreposição horizontal”, dizem os analistas.
“Contudo, como o mercado de medicina é mais nacional do que outros mercados educacionais (estudantes mudam de cidade para cursar essas áreas), as autoridades antitruste podem adotar uma perspectiva nacional sobre o assunto, diferentemente das análises anteriores de fusões no setor educacional”, destaca o JP Morgan, em relatório.