AIEA e FAO lançam projeto emergencial contra surto de mosca-da-bicheira
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançaram um projeto de cinco anos focado em conter o avanço e suprimir o ressurgimento da mosca-da-bicheira (New World Screwworm – NWS) na América Central, no México e nos Estados Unidos.
A iniciativa conjunta contará com um orçamento planejado de US$ 1 milhão e vai reunir especialistas de mais de 20 países afetados – incluindo nações da América do Sul onde o parasita é endêmico.
O avanço do parasita, cujas larvas se alimentam de tecidos vivos de animais de sangue quente a partir de feridas abertas ou membranas mucosas, gerando infecções fatais se não tratadas, acendeu o alerta sanitário na América do Norte. A praga foi confirmada em território norte-americano no início de junho, configurando a primeira incursão biológica do vetor no país em mais de 40 anos.
De acordo com dados atualizados pelo Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (APHIS) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o monitoramento oficial já identificou um total de sete casos detectados em animais no país, sendo que seis dessas sete ocorrências foram registradas no Estado do Texas.
Conforme a FAO e a AIEA, o fenômeno decorre de mudanças climáticas, globalização e do trânsito ilegal de rebanhos, que culminaram no rompimento, em 2022, da contenção biológica mantida com sucesso desde 2006 no Estreito de Darién, no sul do Panamá.
A resposta internacional para conter a reinfestação da mosca-da-bicheira, contudo, enfrenta um severo gargalo de suprimento industrial. Os especialistas estimam que o combate ao atual surto exige a soltura de até 600 milhões de moscas estéreis por semana, mas há escassez global desses insetos.
Atualmente, a unidade da comissão bilateral Estados Unidos-Panamá (COPEG), em operação no Panamá, é a única biofábrica de criação em massa ativa no mundo e produz apenas cerca de 100 milhões de moscas semanais.
O plano do setor é que a ampliação da capacidade de produção em Metapa de Domínguez, no México, e em Mission, no Texas, adicione até 400 milhões de insetos estéreis por semana nos próximos anos.