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Crédito rural em alerta: operações problemáticas atingem recorde de R$ 207 bilhões e já representam 23,5% da carteira

04 set 2026, 12:31 - atualizado em 04 set 2026, 12:32
crédito rural empréstimos
Empréstimos em atraso, prorrogados ou renegociados já representam quase 1/4 da carteira de crédito rural do sistema financeiro. (Foto: Jeff J Mitchell/Getty Images)

O estresse no mercado de crédito rural continua aumentando no Brasil, com as operações consideradas problemáticas alcançando o recorde de R$ 207,4 bilhões em julho, segundo relatório do BTG Pactual.

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O montante representa 23,5% da carteira total de crédito rural do Sistema Financeiro Nacional, avaliada em R$ 881,6 bilhões. A classificação reúne empréstimos em atraso, inadimplentes, prorrogados ou renegociados.

Os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale destacam que os dados mais recentes do Banco Central mostram uma nova deterioração da qualidade do crédito no segmento.

O índice de inadimplência dos empréstimos rurais concedidos a pessoas físicas também chegou ao recorde de 8,8%.

Atrasos acima de 90 dias avançam 20%

O principal fator por trás da piora foi o aumento dos empréstimos vencidos há mais de 90 dias. Essas operações passaram de R$ 38,1 bilhões em junho para R$ 45,7 bilhões em julho, avanço de 20% em apenas um mês.

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Os financiamentos atrasados entre 15 e 90 dias aumentaram de R$ 21,2 bilhões para R$ 22,4 bilhões. Já os empréstimos prorrogados avançaram de R$ 31,6 bilhões para R$ 32,2 bilhões.

As operações renegociadas, que constituem a maior parcela do saldo problemático, chegaram a R$ 106,9 bilhões, ante R$ 106,5 bilhões no mês anterior.

Apesar do crescimento das exposições problemáticas, o saldo adimplente da carteira recuou de R$ 682,7 bilhões em junho para R$ 674,2 bilhões em julho.

Rio Grande do Sul tem 41,6% da carteira sob pressão

O cenário é particularmente delicado no Rio Grande do Sul, onde as exposições problemáticas atingiram R$ 44,9 bilhões. O valor equivale a 41,6% da carteira de crédito rural do Estado, que soma R$ 108,8 bilhões.

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Segundo o relatório, o produtor gaúcho sofreu cinco anos consecutivos de perdas de produção causadas por secas e enchentes.

Os empréstimos em atraso no estado praticamente dobraram e chegaram a R$ 4,1 bilhões em julho. Paralelamente, o saldo das operações consideradas adimplentes caiu de quase R$ 74 bilhões em março para R$ 63,8 bilhões.

Do total problemático no Rio Grande do Sul, R$ 37,4 bilhões ainda estão em dia porque os contratos foram prorrogados ou renegociados antes de entrarem em atraso.

Em Mato Grosso do Sul, os empréstimos problemáticos somaram R$ 19,5 bilhões, mais que o dobro dos R$ 9,5 bilhões classificados como adimplentes.

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O movimento foi diferente em dois dos maiores estados produtores de grãos do país. O saldo problemático recuou para aproximadamente R$ 20 bilhões em Goiás e R$ 21,8 bilhões em Mato Grosso.

Produtores enfrentam dificuldades para renegociar

O BTG também chama a atenção para as dificuldades relatadas pelos produtores no acesso às linhas de renegociação estabelecidas pela MP 1.376/2026.

Entre os principais entraves estão a exigência, pelas instituições financeiras, de pagamentos antecipados de até 15% do saldo devedor e a apresentação de garantias adicionais para as novas operações de refinanciamento.

Relator da medida provisória, o deputado Paulo Pimenta defendeu a ampliação do prazo para prorrogar as parcelas de crédito rural próximas do vencimento. A mudança permitiria que os contratos permanecessem adimplentes e, consequentemente, elegíveis para renegociação.

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Segundo o relatório, porém, as discussões sobre o assunto com o governo federal ainda não chegaram a uma conclusão.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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