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BrasilAgro (AGRO3): Soja salva 4T26, mas cana e algodão preocupam; o que fazer com a ação?

04 set 2026, 11:41
brasilagro agro3 terras agrícolas (1)
(Foto: Alina Fodor/Getty Images)

A BrasilAgro (AGRO3) encerrou o quarto trimestre da safra 2025/2026 (4T26) com resultados considerados fracos pela XP Investimentos, mas apresentou uma melhora relevante em sua operação agrícola, segundo o BTG Pactual.

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A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 14 milhões, ante lucro de R$ 61 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida recuou 25%, para R$ 256 milhões.

O Ebitda ajustado operacional, por sua vez, alcançou R$ 57 milhões, ante um resultado próximo da estabilidade um ano antes. O desempenho também ficou acima dos R$ 15 milhões projetados pela XP.

Apesar de ambos os bancos destacarem a recuperação da operação agrícola, as avaliações sobre a ação são diferentes. O BTG reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 25, enquanto a XP manteve indicação neutra e preço-alvo de R$ 22,50.

Considerando a cotação de R$ 19 utilizada pelo BTG, o preço-alvo representa potencial de valorização de 31,6%. Somado ao retorno esperado com dividendos, de 8,2%, o ganho total projetado chega a 39,8%.

Soja salva o trimestre

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A soja foi o principal destaque positivo do resultado. Segundo o BTG, o volume vendido aumentou 80% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o custo unitário caiu 9%.

Com isso, o lucro bruto por tonelada avançou 31%. A XP explica que o desempenho foi favorecido pelo carregamento de estoques e pela concentração das vendas no último trimestre do ano-safra.

O milho também apresentou evolução, com redução de 9% no custo unitário e crescimento de igual magnitude no lucro bruto por tonelada, de acordo com o BTG. A combinação de custos menores e produtividade elevada sustentou a rentabilidade da cultura.



Na avaliação do banco, o resultado operacional foi melhor que o observado um ano antes. Como não houve venda de propriedades no trimestre, todo o Ebitda ajustado veio das atividades agrícolas.

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Já a XP pondera que o resultado acima de sua projeção foi impulsionado, em parte, por ganhos com derivativos e pela realização de ativos biológicos.

Cana e algodão pressionam BrasilAgro

A melhora da soja e do milho foi parcialmente anulada pelo desempenho mais fraco do algodão e da cana-de-açúcar.

No algodão, a XP destacou a combinação de preços mais baixos e custos unitários elevados. A companhia prevê responder ao cenário com uma redução de 70% na área de algodão de primeira safra em 2026/2027.

Na cana-de-açúcar, a queda dos preços do açúcar e do etanol levou as usinas a reduzirem o ritmo de moagem. Como consequência, a colheita de aproximadamente 280 mil toneladas inicialmente esperada para o trimestre foi transferida para os períodos seguintes.

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A BrasilAgro reduziu ligeiramente suas projeções para a cultura e passou a esperar uma colheita de 2,152 milhões de toneladas, com produtividade de 79,1 toneladas por hectare. Ambas as estimativas representam queda de aproximadamente 1% ante as previsões anteriores, mas a produtividade permanece bem acima dos níveis deprimidos da última safra.

Para a XP, uma recuperação mais lenta do que o esperado na operação de cana-de-açúcar representa o principal risco de revisão negativa para a tese de investimento.

Estratégia defensiva para enfrentar o El Niño

Diante da perspectiva de um El Niño de forte intensidade, a BrasilAgro adotou um planejamento mais conservador para a safra 2026/2027.

A área total em produção deve cair apenas 1%, para 165,2 mil hectares, mas haverá uma mudança relevante na composição. A companhia reduzirá em 5% a área de soja, eliminará o feijão safrinha e diminuirá fortemente o algodão de primeira safra.

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Em contrapartida, a área de milho de primeira safra deve crescer 22%, enquanto as pastagens avançarão 21%. O algodão safrinha terá expansão de 36%, concentrada principalmente em áreas irrigadas.

O BTG considera a decisão coerente do ponto de vista de gestão de riscos, uma vez que diminui a exposição a culturas e regiões mais vulneráveis às condições climáticas. Essa estratégia, porém, reduz o potencial de ganhos por hectare caso o clima se mostre mais favorável.

A XP estima que a alteração no mix de plantio reduzirá em 7% sua projeção anterior para o Ebitda da BrasilAgro em 2027.

Premissas ambiciosas

Apesar da estratégia defensiva, o BTG chamou atenção para as premissas de produtividade e custos adotadas pela companhia.

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A BrasilAgro espera elevar em 6% a produtividade da soja, mesmo após a cultura ter superado o orçamento original em 2025/2026. No milho, a projeção considera crescimento de 12% na produtividade.

As estimativas de custos também são vistas como ambiciosas. A companhia prevê quedas de 12% no custo por hectare do milho safrinha e de dois dígitos nas duas safras de algodão.

Com isso, os custos unitários projetados recuariam 12% no milho e 17% no algodão. Para o BTG, parte da redução é explicada pela base elevada de comparação, mas as metas ainda exigem uma execução sólida diante do cenário atual.

Comprar ou ficar de fora de AGRO3?

O BTG sustenta sua recomendação de compra na capacidade da BrasilAgro de transformar propriedades rurais e capturar a valorização das terras por meio de vendas.

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O portfólio da companhia foi avaliado internamente em R$ 3,34 bilhões, valorização anual de 8,2%. O banco também espera que uma eventual recuperação dos preços das commodities melhore a rentabilidade agrícola.

Já a XP apresenta uma visão mais cautelosa. Embora reconheça que a empresa entra na nova safra com grande parte dos custos de insumos travada e exposição a uma possível alta das commodities, a corretora mantém recomendação neutra devido aos riscos operacionais, especialmente na cana.

Assim, enquanto o BTG enxerga uma combinação de valorização das terras, dividendos e recuperação das commodities, a XP considera que parte desse potencial ainda depende de uma melhora operacional que não está garantida.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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