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Soja e milho: Após recorde, o que pode acontecer com os preços e o que pode virar o jogo

03 set 2026, 13:16
Sementes de soja e milho no Brasil
(iStock.com/Alfribeiro)

Os preços da soja e o milho recuaram nesta semana, após chegarem às maiores cotações desde 2023 acompanhando um ritmo de três semanas consecutivas de alta.

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De acordo com Luiz Fernando Roque, analista da Hedgepoint, o momento segue com perspectivas favoráveis para os grãos.

Ainda assim, produtores e investidores devem estar atentos à combinação entre clima, safra, demanda global e geopolítica, que podem mexer com o mercado.

O especialista explica que na soja, o mercado acompanha especialmente o aumento da demanda por biodiesel nos Estados Unidos, além da retomada das compras chinesas de soja americana.

Desde junho e julho, a China vem ampliando as compras do produto dos Estados Unidos, em linha com o compromisso assumido no acordo firmado em outubro do ano passado. Para Gutierrez, esse movimento é positivo para os preços e ajuda a dar sustentação às cotações internacionais.

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Outro fator que pesa sobre os grãos é o cenário geopolítico. As tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, além do conflito entre Rússia e Ucrânia, afetam os preços de energia e do petróleo e repercutem sobre commodities como a soja, principalmente por sua relação com a produção de óleo vegetal e biocombustíveis.

Além disso, existe uma preocupação com a produção americana. As condições das lavouras estão menos favoráveis do que no ano passado, o que abre espaço para uma eventual redução das estimativas de produção nos Estados Unidos.

No milho, uma safra americana menor, combinada a exportações fortes, poderia apertar ainda mais os estoques e sustentar os preços.

Soja brasileira ganha suporte com exportações

No mercado doméstico, a soja também encontra sustentação na forte demanda externa. As exportações brasileiras vêm retirando produto do mercado interno e reduzindo a disponibilidade para o restante do ano.

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Com isso, aumenta a disputa entre exportadores e compradores domésticos, fortalecendo os prêmios de exportação e contribuindo para uma formação de preços mais firme no Brasil.

Para o fechamento da temporada 2025/26, a expectativa sinalizada por Roque é de exportações brasileiras de soja em torno de 114 milhões de toneladas, cerca de 6 milhões de toneladas acima do volume de aproximadamente 108 milhões registrado na temporada anterior.

Milho tem um ponto de atenção

No milho, a dinâmica é um pouco diferente. A demanda interna está forte, principalmente por parte das usinas de etanol.

Por outro lado, as exportações geram dúvidas.

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O Brasil já acumula exportações inferiores às do ano passado e enfrenta uma combinação desfavorável de fatores: a possibilidade de menor demanda iraniana por causa da guerra e a forte concorrência da Argentina, que teve uma safra recorde de milho e está oferecendo o produto a preços mais competitivos.

A previsão atual da Hedgepoint é de exportação brasileira de aproximadamente 41 milhões de toneladas, mas com viés negativo, considerando a possibilidade de esse número ser revisado para baixo.

Na visão de Roque, caso as exportações entre setembro e dezembro decepcionem, a menor demanda externa poderá abrir espaço para uma correção das cotações.

El Niño ainda não está no preço

O clima também deve ganhar importância nos próximos meses, especialmente com o início do plantio da soja no Brasil.

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O analista explica que, por enquanto, os mapas climáticos indicam condições favoráveis para o plantio em setembro e outubro. Portanto, o El Niño ainda não é um fator incorporado de forma relevante aos preços.

Mas o fenômeno representa um risco para a produção. Em episódios de El Niño, o padrão historicamente observado inclui chuvas abaixo da média no Centro-Norte brasileiro e precipitações acima da média no Sul. Isso pode aumentar os riscos para a produção de soja justamente em regiões importantes para a safra.

Uma eventual quebra ou atraso no plantio da soja também poderia ter efeitos sobre o milho safrinha, já que uma semeadura mais tardia da oleaginosa pode reduzir a janela ideal para o cultivo do cereal.

Até onde podem ir os preços?

Não há, neste momento, uma projeção clara de novo teto ou piso para soja e milho. A volatilidade e o número de variáveis envolvidas tornam difícil estabelecer um intervalo confiável para as cotações.

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A leitura, porém, é de que a curva de preços permanece alta.

Isso não significa que a alta esteja garantida até o fim do ano.

O mercado ainda trabalha com uma perspectiva de safras normais no Brasil e na Argentina, sem grandes problemas climáticos. Caso a produção sul-americana venha maior do que o esperado, a oferta adicional pode pressionar os preços.

*Com supervisão de Renan Dantas

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Repórter estagiária no Money Times e jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Sapienza Università di Roma. Antes, trabalhou no UOL, no Terra e no Laboratório Agência de Comunicação da ECA-USP.
Repórter estagiária no Money Times e jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Sapienza Università di Roma. Antes, trabalhou no UOL, no Terra e no Laboratório Agência de Comunicação da ECA-USP.

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