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Ambev (ABEV3): Nem a Copa do Mundo deve ajudar e ação é rebaixada pelo Safra; confira

24 abr 2026, 12:08 - atualizado em 24 abr 2026, 12:08
ambev day trade
(Imagem: Kaype Abreu/Money Times)

O Banco Safra rebaixou a recomendação de Ambev (ABEV3) de neutro para venda. O preço-alvo, por outro lado, foi elevado de R$ 14 para R$ 16, com potencial de valorização de 9% em relação ao fechamento anterior (23).

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Segundo banco, a recuperação de volumes da Ambev parece já refletida no preço da ação, enquanto os riscos de margem permanecem subestimados. O mercado já precifica a recuperação da cerveja no Brasil em 2026, impulsionada pela Copa do Mundo e por bases de comparação fáceis, acrescenta.

“Em nossa visão, ele [o mercado] subestima a pressão sobre margens decorrente de maiores despesas com SG&A e de condições ainda desafiadoras da indústria em diferentes geografias. Com a ABEV3 negociando a um prêmio em relação aos pares e com espaço limitado para um re-rating estrutural, vemos downside no balanço atual de risco-retorno”, detalha o Safra.

Com a relação preço lucro estimada para 2026 implicando um prêmio de 14% frente aos pares globais, o banco avalia que a relação risco-retorno está inclinada para o lado negativo, o que reforça o rebaixamento da Ambev para venda.

Por volta das 11h43 (horário de Brasília), a ABEV3 recuava 1,09%, a R$ 14,58.

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Recuperação de volumes em 2026, mas cenário segue desafiador

Segundo o Safra, a indústria cervejeira brasileira vem andando de lado desde 2020, devido a um ambiente competitivo difícil, com a Heineken fortalecendo sua posição — embora a Ambev tenha recuperado algum espaço em 2025, especialmente em cervejas premium.

“A força da indústria de cerveja segue estruturalmente desafiada em outras regiões. O Canadá enfrenta uma tendência secular de contração do setor, a economia argentina volta a enfraquecer após alguma recuperação em 2024, e América Central e Caribe (CAC) é um mercado volátil. A divisão de não alcoólicos (NAB Brasil) apresentou crescimento mais consistente nos últimos anos, mas o desempenho recente perdeu fôlego”, detalha.

Para o banco, no lado positivo, os volumes no Brasil devem se beneficiar neste ano do ciclo da Copa do Mundo e das bases de comparação fáceis após a forte queda de volumes no ano passado.

Além disso, os preços podem compensar o custo por hectolitro (COGS/hl) em 2026, mas despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) devem pressionar margens, afirma o Safra.

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“Por outro lado, esperamos que as despesas com SG&A como percentual da receita se deteriorem em 176 pontos-base na comparação anual, impulsionadas por maiores gastos com marketing ligados à Copa do Mundo e por pagamentos de bônus (os bônus do ano passado foram cortados devido ao fraco desempenho de volumes)”, diz o banco.

Expectativas para o 1T26

O Safra prevê resultados fracos para a Ambev no primeiro trimestre de 2026 (1T26), já que a Cerveja Brasil ainda enfrenta um ambiente de demanda difícil, diante da renda disponível do consumidor pressionada, condições climáticas desfavoráveis e concorrência intensa, embora as marcas premium sigam performando bem.

“Esperamos tendências igualmente fracas em NAB Brasil, CAC, América do Sul (LAS) e Canadá, com volumes mais fracos na maioria das regiões. No consolidado, projetamos queda de 3% no Ebtida ajustado, uma vez que as pressões de custos — especialmente em Cerveja Brasil — devem seguir como um vento contrário relevante”, explica o analista Ricardo Boiati.

Valuation da Ambev

A ABEV3 é negociada hoje a 15,7x a relação entre preço e lucro de 2026, um prêmio de 14% em relação aos pares globais.

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Para o banco, o valuation já incorpora a recuperação de volumes de cerveja no Brasil, mas não reflete de forma adequada os riscos de queda como contração de margens, eventual frustração das expectativas relacionadas à Copa do Mundo, deterioração do ambiente competitico e o risco de mais um ano de condições climáticas desfavoráveis.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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