Mercados

Taxas de DIs têm leve alta após dados de inflação nos EUA adiarem chance de alta nos juros

10 jun 2026, 19:02 - atualizado em 10 jun 2026, 19:25
(Imagem: alexsl/ iStock)

A curva de juros futuros encerrou o pregão desta quarta-feira (10) em leve alta após o estresse das sessões anteriores, que levaram as taxas a flertar com o nível de 15%. Dados de inflação nos EUA também movimentaram as negociações.

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A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subiu e fechou a 14,495% ante 14,480% do fechamento anterior.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,940% ante 14,920% do fechamento anterior, alta de 2 pontos-base.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, também subiu 2 pontos-base e terminou o dia a 14,645% ante 14,625% do fechamento da última terça-feira (9).

O mercado de títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também fechou em alta.

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O yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – terminou a 4,145% ante 4,124% do ajuste anterior.

Já o retorno do título de dez anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subiu para 4,554%, de 4,528% da última terça-feira (9).

O que mexeu com os DIs hoje?

Os contratos de DIs abriram a sessão de hoje em forte alta reagindo a ataques dos EUA contra o Irã realizados na madrugada, como retaliação a uma suposta ofensiva iraniana a um helicóptero americano ocorrida na terça.

No início da tarde desta quarta-feira (10), o presidente norte-americano Donald Trump elevou o tom contra Teerã, ameaçando um novo ataque ao país persa. Em reação, os preços do petróleo subiram o contrato futuro do Brent para agosto, referência para o mercado internacional, terminou o dia com alta de 1,80%, a US$ 93,1 por barril.

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A nova escalada dos preços do petróleo, ainda que abaixo de US$ 100 o barril, mantém à mesa as preocupações sobre inflação.

Ainda nos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) acelerou de 3,3% para 4,2% na base anual, atingindo o maior patamar desde abril de 2023, e dentro das expectativas do mercado – o que certo alívio à curva dos Treasuries.

O dado não alterou a perspectiva do mercado de que o Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano) mantenha os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na próxima semana, mas adiou uma eventual elevação nas taxas de outubro para dezembro deste ano.

Por aqui, a deterioração das expectativas do mercado para inflação e para a política monetária continuou a impactar a curva a termo.

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Desde o fim do mês passado, grandes players do mercado vêm alterando as projeções macroeconômicas, após o resultado ‘robusto’ do Produto Interno Bruto (PIB) e outros dados mais fortes do que o esperado. Os impactos do conflito no Oriente Médio nos preços de energia e potencial reflexo na inflação também figuram como pano de fundo das revisões.

Isso tem se traduzido em estimativas de um ciclo de corte de juros mais curto e, portanto, Selic mais alta no fim de 2026.

Hoje, o ASA alterou a projeção para a Selic terminal de 2026 de 13,25% para 14,25% ao ano, patamar também previsto pelo BTG Pactual e Bank of America (BofA).

Na visão do economista Leonardo Costa, a reunião de junho deve marcar o fim do ciclo de corte de juros no Brasil, com redução de 25 pontos-base.

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Já a curva precifica manutenção dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desde a última sexta-feira (5). Hoje, as Opções do Copom negociadas na B3 apontam 70% de chance de manutenção da Selic na próxima decisão, segundo a atualização mais recente de ontem (9). probabilidade de corte de 25 pontos-base é de 29,5%.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
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