Após rali eleitoral, o que ainda vale comprar? Itaú BBA vê potencial de mais de 40% em ações do varejo
O resultado do 1º turno das eleições de 2026 deu espaço para um sentimento positivo em torno de ativos cíclicos e sensíveis aos juros, como observado no avanço de mais de 20% de nomes como Magazine Luiza (MGLU3) no pregão de segunda-feira (5).
Neste cenário, o Itaú BBA testou a sensibilidade de múltiplos, juros e PIB para identificar a próxima etapa de valorização e responder o que comprar em um ambiente estruturalmente de juros mais baixos.
Os analistas do banco pontuam que o que fazer neste cenário é a pergunta que mais recebem dos investidores, dessa forma, eles consideraram três variáveis em uma análise de sensibilidade:
- Deslocamento de 300 pontos-base para baixo na curva de juros, o que potencialmente levaria os juros reais a 6%;
- Diferentes cenários para o PIB (Produto Interno Bruto) e seus respectivos impactos sobre o crescimento das receitas das empresas;
- Múltiplos de valuation normalizados, compatíveis com um cenário de juros mais baixos.
Segundo o BBA, o objetivo é estimar o potencial de valorização de cada companhia com base em lucros normalizados para 2027 e em múltiplos também normalizados.
“Reconhecemos que os fundamentos do varejo seguem desafiadores, com os lucros ainda se deteriorando em diversas empresas. A principal questão, porém, é se o vento favorável do cenário macroeconômico pode, em última instância, se sobrepor ao quadro microeconômico mais fraco”, dizem os analistas.
Potencial de valorização superior a 40%
O Itaú BBA aponta que Pague Menos (PGMN3), Smart Fit (SMFT3), C&A (CEAB3), Grupo SBF (SBFG3), Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Quero-Quero (LJQQ3) e Allied Tecnologia (ALLD3) apresentam potencial de valorização superior a 40%.
Segundo os analistas, a normalização dos múltiplos deve ser um dos fatores mais poderosos em um ambiente de queda dos juros. Na leitura deles, o valuation ficou em segundo plano por anos, mas isso pode estar mudando.
Nesse contexto, o grupo de ações se destaca por negociar a múltiplos significativamente descontados em relação ao seu potencial normalizado, mesmo com fundamentos ainda desafiadores em alguns casos: Pague Menos a 7,5 vezes o P/L (preço sobre o lucro) projetado para 2027, Smart Fit a 11,5 vezes, C&A a 7,5 vezes, SBF a 5,0 vezes, Magalu a 9,0 vezes e Allied a 3,5 vezes.
“Dado o nível de alavancagem dessas empresas, Pague Menos, Magazine Luiza e Lojas Quero-Quero também devem estar entre os principais beneficiários diretos de taxas de juros mais baixas”, dizem os analistas.
O Itaú BBA aponta RD Saúde (RADL3), Vivara (VIVA3), Lojas Renner (LREN3) e Riachuelo (RIAA3) como nomes que também oferecem potencial de alta atraente. Essas ações exibem potencial de valorização entre 30% e 40%, sustentado por uma possível reprecificação positiva dos múltiplos.
No caso de RD Saúde, Vivara e Lojas Renner, os analistas adicionam que há potencial para se beneficiar da retomada do fluxo de capital estrangeiro em um cenário de juros mais baixos.
“Em nossa visão, o movimento impulsionado por fatores macroeconômicos pode ser suficientemente forte para compensar os desafios específicos de cada empresa, ao menos até que a primeira etapa de normalização dos múltiplos seja totalmente capturada”, diz o BBA.
Visão conservadora
Em uma visão mais conservadora, os analistas do Itaú BBA chamam atenção para três empresas.
A primeira é a Natura (NATU3). Após os cortes nas estimativas de lucro depois da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, a ação já se aproxima do que os analistas consideram seu valuation normalizado, limitando seu potencial relativo de valorização.
Em seguida aparece o Assaí (ASAI3), embora continue sendo uma forte candidata a receber fluxos estrangeiros e uma beneficiária evidente da queda dos juros, a ação já subiu 51% neste mês e 56% nos últimos 30 dias, reduzindo seu potencial remanescente.
Considerando lucros normalizados, seu P/L (preço sobre o lucro) já está próximo do múltiplo atualmente utilizado na tela.
Por fim, a Vulcabras (VULC3) provavelmente enfrentará um ambiente operacional mais desafiador no curto prazo, avaliam os analistas, o que se traduz em um potencial de valorização mais limitado dentro da metodologia do BBA, baseada em múltiplos normalizados.