Entrevista

Após vitória de Lula, Itaú reduz otimismo com Bolsa e recomenda reforçar diversificação no exterior

03 nov 2026, 13:03
Martin Iglesias, líder em recomendação de investimentos do Itaú Unibanco. Foto: SM2 Estúdio
Martin Iglesias, líder em recomendação de investimentos do Itaú Unibanco. Foto: SM2 Estúdio

A vitória de Lula nas eleições de 2026 mudou as perspectivas para o mercado brasileiro e levou o Itaú a reduzir o otimismo com a Bolsa. Mas, na avaliação de Martin Iglesias, líder em recomendação de investimentos do Itaú Unibanco, o momento não pede uma saída apressada dos ativos locais nem uma mudança radical das carteiras.

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A recomendação é ajustar o risco gradualmente, ampliar a diversificação internacional e dar preferência a títulos de inflação de prazo mais curto.

Em meio à volatilidade dos últimos dias, a primeira preocupação do banco foi evitar que os clientes tomassem decisões precipitadas.

“É menos dizer ‘este ativo aqui precisa deste ajuste’ e mais evitar que se tomem decisões apressadas”, afirmou Iglesias em entrevista ao Money Times.

O Itaú, que inicialmente manteve uma visão positiva para as ações brasileiras após o resultado eleitoral, passou a adotar uma posição neutra na classe de ativos. A mudança reflete a perspectiva de juros mais altos e de uma desaceleração mais intensa da economia.

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Isso não significa, porém, que o banco esteja apostando em novas quedas da Bolsa. Para Iglesias, uma parcela relevante das preocupações do mercado já foi incorporada aos preços, embora ainda haja espaço para ajustes.

“Custo de capital mais alto leva a múltiplos menores e crescimento menor leva a earnings menores”, afirmou.

Na escala de recomendação do Itaú, que vai de -3 (muito pessimista) a +3 (muito otimista), a avaliação da Bolsa brasileira passou de +1 para zero.

Exterior ganha espaço na carteira

Uma das principais recomendações do Itaú neste momento é que os investidores revisem a exposição a ativos internacionais. Segundo Iglesias, muitos clientes ainda têm uma parcela inferior à indicada nas carteiras sugeridas pelo banco.

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O executivo cita o chamado home bias, ou viés doméstico: em média, o investidor brasileiro mantém apenas 2% do patrimônio em ativos internacionais. Para o Itaú, há espaço para ampliar essa participação, que varia de 3,8% nas carteiras conservadoras a cerca de 30% nas agressivas.

A diversificação também ajudou a proteger os investidores durante a turbulência recente. Segundo Iglesias, quem tinha ativos no exterior atravessou melhor o pregão de maior estresse, beneficiado pela valorização do dólar e pelo desempenho dos investimentos internacionais.

Entre as oportunidades, o banco mantém visão positiva para a Bolsa norte-americana, tanto em carteiras com proteção cambial quanto sem hedge. Iglesias também cita títulos do Tesouro dos Estados Unidos, com retornos próximos de 5,25% ao ano.

Preferência por renda fixa de inflação de prazo mais curto

Na renda fixa brasileira, o Itaú mudou a preferência por títulos indexados à inflação de vencimentos mais longos para papéis mais curtos, com duration próxima à do IMA-B 5.

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A decisão considera o risco de aceleração da inflação, diante da pressão do petróleo e do câmbio mais elevado.

Na avaliação de Iglesias, os títulos mais curtos oferecem melhor proteção nesse cenário, enquanto os papéis longos são mais sensíveis às expectativas fiscais e aos juros de longo prazo.

O banco também mantém visão favorável para investimentos pós-fixados. Já os prefixados exigem mais cautela, pois uma inflação acima do esperado pode reduzir o retorno real desses títulos.

O que fazer com dinheiro novo?

Para quem tem recursos novos para investir, Iglesias recomenda usar os aportes para aproximar a carteira da alocação sugerida pelo banco, reforçando posições que estejam abaixo do peso indicado para cada perfil.

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O executivo também desaconselha mudanças bruscas, como vender toda a posição em ações ou transferir de uma só vez uma parcela expressiva do patrimônio para o exterior. Os ajustes podem ser feitos gradualmente.

“Se quer aumentar a diversificação internacional, pode ser aos poucos, mesmo que o dólar esteja um pouco mais alto. Se é para reduzir a exposição em Bolsa, também pode ser aos poucos, não precisa ser tudo de uma vez”, afirmou.

Para Iglesias, a prioridade é evitar que o investidor tome decisões motivadas pelo medo de novas perdas ou pelo receio de se arrepender depois. A estratégia, diz, deve continuar alinhada aos objetivos e ao perfil de risco de cada pessoa.

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Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil em 2025 e 2026. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.
Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil em 2025 e 2026. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

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