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Assaí (ASAI3) estreia no setor farmacêutico; o que os analistas esperam da aposta

16 jul 2026, 12:41
assaí
(Imagem: Divulgação)

O Assaí (ASAI3) inaugura nesta quinta-feira (16) sua primeira farmácia, instalada dentro da área de vendas da loja Anhanguera, em São Paulo. A aposta no segmento farmacêutico busca ampliar monetização da base de clientes.

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No geral, os analistas veem a iniciativa como positiva, mas avaliam que ainda é cedo para medir seu impacto, que dependerá da execução e da rentabilidade da operação.

A estreia ocorre meses após a sanção da lei que passou a permitir a instalação de farmácias completas em supermercados, desde que cumpridas as exigências sanitárias. O Assaí vê potencial para abrir mais de 250 farmácias em sua rede no País, afirmou o diretor de Operações e Novos Negócios da companhia, Sérgio Leite.

Na visão do Bradesco BBI, a iniciativa reforça a estratégia do Assaí de aumentar a participação nos gastos de seus cerca de 40 milhões de clientes mensais e elevar a produtividade dos ativos, em um cenário de consumo ainda pressionado.

“No entanto, acreditamos que ainda é cedo para tratar a nova vertical como um potencial divisor de águas para a companhia, dado que o conceito precisará demonstrar tração operacional e rentabilidade ao longo dos próximos trimestres“, ponderam os analistas.

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A tese de curto prazo ainda lida com consumo mais fraco, crescimento ainda modesto das vendas de mesmas lojas e pressão decorrente de juros elevados, que continuam impactando a geração de lucro e caixa. Apesar disso, a estratégia de diversificação e monetização da base de clientes representa um importante vetor de crescimento para o médio e longo prazo, na visão do BBI.

Na Bolsa, as ações registram movimento moderado, com queda de 0,69%, a R$ 8,60, por volta de 11h50 (horário de Brasília). Acompanhe o tempo real.

Entrada no segmento farmacêutico

O BTG Pactual pondera que esse movimento ocorre em um momento de menor expansão física, com apenas cinco novas lojas previstas para este ano, enquanto a companhia prioriza desalavancagem e disciplina financeira.

A administração reconhece que a maior adoção de medicamentos GLP-1 (medicamentos usados no tratamento de diabetes e obesidade, como Ozempic e Wegovy) poderá alterar gradualmente os hábitos de consumo, reduzindo a demanda por carboidratos e bebidas alcoólicas e aumentando o consumo de proteínas, suplementos e produtos ligados à saúde.

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Segundo o CEO da companhia, Belmiro Gomes, a entrada no segmento faz parte da estratégia de ampliar a presença do Assaí no dia a dia dos consumidores. “A companhia está muito voltada para aumentar a nossa participação nos gastos do cliente”, afirmou.

“Nesse contexto, a entrada no mercado farmacêutico complementa a estratégia de ampliar exposição ao chamado ecossistema de saúde”, dizem os analistas do BTG.

No entanto, o ambiente operacional do varejo alimentar continua desafiador, com volumes pressionados, crescimento dependente de preços e limitações para novos repasses sem afetar a demanda. O banco tem recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 11 para Assaí.

Os analistas da XP Investimentos veem a inauguração da farmácia como uma iniciativa de baixo capex (investimento) e alto ROIC (retorno sobre o capital investido), que pode contribuir tanto para a receita quanto para a margem, ajudando a mitigar parte do risco de um cenário mais desafiador para as vendas de C&C.

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“Iniciativas estratégicas como farmácia permanecem como riscos positivos para nossa tese, dada a visibilidade limitada. Mantemos nossa recomendação de compra“, diz a casa.

Potencial para o Assaí

Analistas do Citi afirmam ter ficado impressionados com a simplicidade do formato, a necessidade limitada de investimentos em manutenção e o sortimento de cerca de 10 mil SKUs, entre medicamentos sob prescrição, produtos isentos de prescrição (OTC), suplementos e dermocosméticos, em linha com o encontrado em farmácias tradicionais.

No entanto, a expansão gradual da operação, com previsão de 25 unidades ainda este ano e potencial de cerca de 250 lojas no médio prazo, deve gerar apenas uma contribuição incremental para a receita até 2028.

“A principal questão é se a operação, que incluirá e-commerce (inicialmente com click & collect e, posteriormente, entregas), conseguirá atingir um nível de produtividade semelhante ao das redes tradicionais de farmácia“, ponderam os analistas do banco.

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Nas contas do Citi, caso a iniciativa alcance entre 25% e 30% da produtividade da RD Saúde (RADL3), a estimativa para receita incremental chega a cerca de R$ 2 bilhões, o equivalente a cerca de 2% das vendas projetadas do Assaí para 2028. Considerando uma margem de contribuição entre 10% e 15%, isso representaria um potencial de alta de cerca de 10% no lucro em relação às estimativas do Citi.

O Citi mantém recomendação neutra/alto risco para as ações do Assaí.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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