Análise Técnica

Até onde o rali eleitoral deve impulsionar o Ibovespa?

03 set 2026, 11:50
ibovespa bolsa bull market
(Imagem: iStock)

O Ibovespa (IBOV) engata a 12ª alta consecutiva nesta quinta-feira (3) e opera no nível dos 188 mil pontos, o maior desde meados de abril, com o mercado precificando uma disputa mais acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial.

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Com o avanço recente, apoiado pelo rali eleitoral e retomada do capital estrangeiro, o IBOV acumula alta de 6,3% na primeira semana de setembro.

Mas até onde o Ibovespa vai? Segundo o BTG Pactual, o principal índice da bolsa brasileira confirmou uma forte reversão em V, com uma resposta compradora rápida após o IBOV operar cerca de 15% abaixo da média histórica.

“No gráfico diário, o price action reforça a dominância da ponta compradora, com uma sequência de máximas e mínimas mais altas que as anteriores, maior amplitude nos pregões de alta em comparação aos pregões de queda e candles com fechamentos próximos das máximas”, afirmam os analistas técnicos Lucas Costa e Gabriela Sporch.

A dupla também destaca que o movimento de alta ganhou força após o rompimento dos 180.600 pontos, antiga resistência formada no início de agosto e agora suporte do índice.

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Os próximos suportes são 192.608, 198.184 e 199.273 pontos. Em um cenário de aceleração acima desses suportes, o IBOV pode atingir os inéditos 200 mil pontos.

Na mesma linha, o Itaú BBA considera que o índice pode voltar ao nível recorde dos 199 mil pontos no curto prazo, caso o índice ultrapasse o suporte de 188.700 pontos.

“Ibovespa entrou em uma tendência de alta depois de muito tempo indefinido ou em baixa. Este cenário abre espaço para compras em ativos que superarem suas resistências e que acompanhem o índice na tendência de valorização”, avalia o analista técnico Lucas Piza.

Eleições no preço

As pesquisas eleitorais começaram a movimentar o mercado doméstico nesta semana, a um mês das eleições e em meio à ruídos de ligação entre o Caso Master e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com destaque para Alexandre de Moraes.

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Na última quarta-feira (2), a pesquisa Quaest mostrou Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno contra 29% de Flávio Bolsonaro. O petista recuou 1 ponto porcentual, ante os 38% da pesquisa passada, divulgada em 14 de agosto, e Flávio Bolsonaro caiu 2 pontos sobre os 31%.

Já em um eventual segundo turno, Lula tem 42% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro 41%. O presidente recuou 1 ponto porcentual ante os 43% do levantamento anterior e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro cresceu também 1 ponto sobre os 40%.

Com o resultado, a diferença entre ambos cai de 3 para 1 ponto, e ambos mantêm o empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

Já hoje, a PoderData/Aya mostrou o senador numericamente à frente do petista em um eventual segundo turno. Flávio tem 45% das intenções de voto contra 44% de Lula. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual.

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A pesquisa começou a ser feita em maio e é a primeira vez que Flávio aparece à frente de Lula nas projeções de primeiro turno.

O acirramento da disputa entre o petista e o senador reforçou a aposta dos investidores em uma troca de governo em 2027.

“O movimento é relevante, já que uma parcela de investidores enxerga uma eventual troca de governo como um possível sinal de uma política econômica mais ortodoxa”, avalia Marcos Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital.

De modo geral, Lula é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio têm se refletido positivamente nos ativos.

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“O fluxo de investidores estrangeiros deve seguir como principal balizador do apetite por risco no curto prazo, enquanto a volatilidade associada ao cenário eleitoral tende a aumentar a dispersão dos retornos nas próximas semanas”, avalia a equipe de análise técnica do BB-BI.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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