Por que a CSN (CSNA3) salta quase 20% com a saída de Steinbruch do comando da empresa?
A CSN (CSNA3) chegou a disparar 19,90% e lidera os ganhos do Ibovespa nesta quinta-feira (3) após o anúncio de que Benjamin Steinbruch deixa o comando da companhia como CEO depois de 24 anos. No lugar dele, entra Fabio Schvartsman, que já ocupou a presidência da Vale (VALE3) entre 2017 e 2019.
Schvartsman também é engenheiro de produção pela Poli-USP e ex-presidente da Klabin (KLBN11).
Na avaliação do sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, a reação forte da CSN hoje faz sentido porque a troca de comando acontece justamento no ponto mais sensível da companhia: o balanço.
“Schvartsman assume com a missão de reduzir entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões de dívida, enquanto a CSN encerrou o segundo trimestre de 2026 com R$ 42,1 bilhões de dívida líquida, com alavancagem de 3,49 vezes e ainda queimando caixa”, detalha Lemos.
A companhia chegou a projetar R$ 9,3 bilhões de queima de caixa nos 12 meses seguintes, acrescenta.
O sócio da Fatorial avalia ainda que a alta de hoje também pode está sendo amplificada pelo elevado volume de posições vendidas no papel.
Por volta das 10h51 (horário de Brasília), a CSNA3 saltava 13,88% (R$ 6,81).
Notícia bem-vinda
Na avaliação do BTG Pactual, a troca foi inesperada, mas é uma notícia bem-vinda. “Schvartsman é um executivo altamente respeitado e alinhado ao mercado, com ampla experiência em empresas como Vale, Klabin e Ultrapar e, sobretudo, entende o que precisa ser feito para reconstruir a confiança dos investidores e reformular a tese de investimento da CSN”, afirma o banco em relatório.
Para o banco, além de uma possível maior ênfase em desalavancagem, alocação de capital e venda de ativos, a mudança também deverá trazer mais clareza à estrutura de liderança da companhia e ao planejamento de sucessão — temas que vêm fazendo parte do debate entre os investidores há algum tempo.
“Com Steinbruch permanecendo fortemente envolvido como chairman (presidente do Conselho de Administração), vemos a nova estrutura como uma evolução natural do modelo de liderança da CSN e como um potencial desenvolvimento positivo para a tese de investimento da companhia”, considera o BTG.
Na mesma linha, Lemos, da Fatorial, considera que, pelo histórico, Schvartsman é um nome que faz bastante sentido para esse turnaround. “Ele combina experiência financeira, depois de mais de duas décadas no Grupo Ultra, onde chegou a atuar como CFO, com experiência operacional à frente de Klabin e Vale”, diz.
Para o sócio da Fatorial, é um perfil aderente ao que a CSN precisa agora: disciplina de capital, venda de ativos e execução.
CSN Cimentos
Na avaliação do BTG, os últimos desdobramentos relacionados à potencial venda da CSN Cimentos, que continua sendo um dos principais pilares da estratégia de desalavancagem da companhia, são positivos. A empresa avalia propostas da Huaxin e de um consórcio formado por Votorantim e Cementir.
Segundo reportagem do portal Neofeed, a CSN espera levar aproximadamente mais 45 dias para selecionar a melhor proposta, com a transação podendo ser concluída até novembro.
“As vendas de ativos continuam sendo fundamentais para a estratégia de desalavancagem, e os recursos provenientes da venda da operação de cimentos poderiam proporcionar um alívio significativo na dívida líquida e apoiar o programa de amortização da dívida da companhia”, afirma o BTG.
Lemos, da Fatorial, acrescenta que, mais importante do simplesmente vender um ativo é o destino dos recursos. “Se essa execucação acontecer, a CSN pode começar a reduzir despesa financeira, custo de capital e justamente o desconto de risco que pesava sobre a ação”, diz.
A venda da divisão de cimentos pode trazer até R$ 12 bilhões para a CSN, enquanto Steinbruch, no começo, mirava os R$ 15 bilhões.