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Por que a CSN (CSNA3) salta quase 20% com a saída de Steinbruch do comando da empresa?

03 set 2026, 11:17 - atualizado em 03 set 2026, 12:12
csn- CSN Mineração CMIN3
(Imagem: CSN/Divulgação)

A CSN (CSNA3) chegou a disparar 19,90% e lidera os ganhos do Ibovespa nesta quinta-feira (3) após o anúncio de que Benjamin Steinbruch deixa o comando da companhia como CEO depois de 24 anos. No lugar dele, entra Fabio Schvartsman, que já ocupou a presidência da Vale (VALE3) entre 2017 e 2019.

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Schvartsman também é engenheiro de produção pela Poli-USP e ex-presidente da Klabin (KLBN11).

Na avaliação do sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, a reação forte da CSN hoje faz sentido porque a troca de comando acontece justamento no ponto mais sensível da companhia: o balanço.

“Schvartsman assume com a missão de reduzir entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões de dívida, enquanto a CSN encerrou o segundo trimestre de 2026 com R$ 42,1 bilhões de dívida líquida, com alavancagem de 3,49 vezes e ainda queimando caixa”, detalha Lemos.

A companhia chegou a projetar R$ 9,3 bilhões de queima de caixa nos 12 meses seguintes, acrescenta.

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O sócio da Fatorial avalia ainda que a alta de hoje também pode está sendo amplificada pelo elevado volume de posições vendidas no papel.

Por volta das 10h51 (horário de Brasília), a CSNA3 saltava 13,88% (R$ 6,81).



Notícia bem-vinda

Na avaliação do BTG Pactual, a troca foi inesperada, mas é uma notícia bem-vinda. “Schvartsman é um executivo altamente respeitado e alinhado ao mercado, com ampla experiência em empresas como Vale, Klabin e Ultrapar e, sobretudo, entende o que precisa ser feito para reconstruir a confiança dos investidores e reformular a tese de investimento da CSN”, afirma o banco em relatório.

Para o banco, além de uma possível maior ênfase em desalavancagem, alocação de capital e venda de ativos, a mudança também deverá trazer mais clareza à estrutura de liderança da companhia e ao planejamento de sucessão — temas que vêm fazendo parte do debate entre os investidores há algum tempo.

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“Com Steinbruch permanecendo fortemente envolvido como chairman (presidente do Conselho de Administração), vemos a nova estrutura como uma evolução natural do modelo de liderança da CSN e como um potencial desenvolvimento positivo para a tese de investimento da companhia”, considera o BTG.

Na mesma linha, Lemos, da Fatorial, considera que, pelo histórico, Schvartsman é um nome que faz bastante sentido para esse turnaround. “Ele combina experiência financeira, depois de mais de duas décadas no Grupo Ultra, onde chegou a atuar como CFO, com experiência operacional à frente de Klabin e Vale”, diz.

Para o sócio da Fatorial, é um perfil aderente ao que a CSN precisa agora: disciplina de capital, venda de ativos e execução.

CSN Cimentos

Na avaliação do BTG, os últimos desdobramentos relacionados à potencial venda da CSN Cimentos, que continua sendo um dos principais pilares da estratégia de desalavancagem da companhia, são positivos. A empresa avalia propostas da Huaxin e de um consórcio formado por Votorantim e Cementir.

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Segundo reportagem do portal Neofeed, a CSN espera levar aproximadamente mais 45 dias para selecionar a melhor proposta, com a transação podendo ser concluída até novembro.

“As vendas de ativos continuam sendo fundamentais para a estratégia de desalavancagem, e os recursos provenientes da venda da operação de cimentos poderiam proporcionar um alívio significativo na dívida líquida e apoiar o programa de amortização da dívida da companhia”, afirma o BTG.

Lemos, da Fatorial, acrescenta que, mais importante do simplesmente vender um ativo é o destino dos recursos. “Se essa execucação acontecer, a CSN pode começar a reduzir despesa financeira, custo de capital e justamente o desconto de risco que pesava sobre a ação”, diz.

A venda da divisão de cimentos pode trazer até R$ 12 bilhões para a CSN, enquanto Steinbruch, no começo, mirava os R$ 15 bilhões.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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