Ibovespa

Ibovespa: alta de quase 10 mil pontos em 3 dias veio para ficar? Entenda o movimento

02 set 2026, 14:30 - atualizado em 02 set 2026, 14:32
Fiscal
Falta de endereçamento do problema fiscal pode levar o dólar acima dos R$ 7 e derrubar o Ibovespa abaixo dos 107 mil pontos, segundo analistas da Empiricus e do BTG Pactual 

O Ibovespa (IBOV) apresenta a 11ª alta consecutiva nesta quarta-feira (2). O movimento, porém, mudou da última semana para cá com as últimas pesquisas de cenário eleitoral reforçando a leitura de uma disputa acirrada à Presidência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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O Ibovespa saiu de 175.664,62 pontos, na sexta-feira (28), para os 186.028,06 pontos pontos, na máxima intradia desta quarta, um ganho de mais de 10 mil pontos em apenas três sessões.

Por volta das 14h02 (horário de Brasília), o IBOV avançava 2,87%, aos 184.886,36 pontos. No acumulado da semana, o salto chega a 5,17%.

Na principal simulação de segundo turno da pesquisa Quaest, Lula tem 42% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, 41%. O presidente recuou 1 ponto porcentual ante os 43% do levantamento anterior, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro cresceu também 1 ponto sobre os 40%.

O movimento do principal índice da bolsa brasileira, segundo especialistas consultados pelo Money Times, reflete a perspectiva de uma possível alternância no poder, o que impulsionou empresas como o Banco do Brasil (BBAS3) nos últimos dias.

Eleição e gringo viram ‘motor’ do Ibovespa

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Para Luciano França, gestor de renda variável da Paramis Avantgarde, só a partir do pregão de segunda-feira a eleição virou “o motor do desempenho do Ibovespa”, com os pregões anteriores refletindo a volta do gringo para a bolsa.

Ele lembra que a B3 emendou dez altas em agosto, o mês de maior saída estrangeira da série, com saldo negativo em torno de R$ 18,6 bilhões e a participação do estrangeiro no volume caindo a 57%, o menor nível deste ano. Na comparação com o início de 2026, acrescenta, foi um tombo de mais de 60%.

Na avaliação de Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, um aliado junto ao ‘trade eleitoral’ foi a pausa na venda massiva da bolsa brasileira por investidores estrangeiros, como ocorreu na primeira metade do mês de agosto. “Só por isso, o fluxo já melhorou muito e deu uma impulsionada na bolsa”, diz.

Segundo Magno, com as pesquisas eleitorais recentes mais apertadas, o mercado saiu de uma precificação de 70% de chance de Lula ganhar, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 30%.

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“As últimas pesquisas vêm colocando um empate técnico entre os dois no segundo turno, o que aumenta as probabilidades do Flávio ganhar e termos ajustes fiscais críveis, de que o Brasil precisa”, afirma.

Na mesma linha, Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, avalia que as pesquisas BTG Pactual/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg de segunda-feira colocaram mais combustível na alta do Ibovespa, com a melhora de Flávio e também o outsider Augusto Cury (Avante) despontando no terceiro lugar dos levantamentos — como também foi observado na Quaest desta quarta-feira.

De acordo com o CEO da Veedha, os ruídos recentes envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, não têm correlação direta com o desempenho positivo do índice na terça-feira (1º).

“Com tanta coisa acontecendo é difícil precificar. Mas, se fizermos uma leitura técnica, as informações saíram ontem e foram ganhando força ao longo do dia, enquanto o Ibovespa até chegou a devolver parte do ganho no fim do pregão”, detalha. “A leitura é de que a notícia traz ruído para todos os lados.”

Movimento de empresas ligadas ao governo

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Nos últimos dias, o forte desempenho da Petrobras (PETR3;PETR4) e do Banco do Brasil chamaram a atenção. No entanto, Marcatti, da Veedha Investimentos, considera difícil cravar que a alta da petroleira refletiu o trade eleitoral, visto que o petróleo Brent teve forte alta nos últimos pregões.

Já o movimento do BB, na avaliação de Marcatti e também de Magno, da AW Capital, pode já estar capturando os efeitos das últimas pesquisas eleitorais.

“A alta está muito expressiva e são principalmente corretoras estrangeiras atuando na ponta compradora. Então, acredito que, com as últimas pesquisas eleitorais que saíram, o mercado está precificando uma possível troca de governo, o que pode ser bem positivo para a empresa”, explica.

Rali é sustentável?

Na avaliação de Marcatti, da Veedha Investimentos, “o que vem fácil vai fácil” e uma reversão nas pesquisas eleitorais poderia rapidamente mudar o movimento de alta observado no Ibovespa.

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“O índice tem pouca liquidez e concentração em papéis de grande qualidade. Este é o lado positivo e também negativo do ‘flight to quality‘”, diz.

França, da Paramis Avantgarde, corrobora a visão de Marcatti de que uma reversão nas pesquisas pode provocar uma “liquidação” da bolsa brasileira, além de pressionar o câmbio, com um movimento mais “rápido e violento”. Ou seja, o mesmo mecanismo que sustentou os últimos pregões pode operar também na direção contrária.

Por enquanto, portanto, o mercado parece disposto a comprar a tese de uma eleição mais competitiva, mas os próprios especialistas alertam que o movimento ainda é frágil. Com o Ibovespa renovando máximas e acumulando mais de 5% de alta apenas nesta semana, qualquer mudança relevante na percepção sobre a disputa presidencial pode alterar rapidamente o fluxo de recursos e devolver parte — ou até a totalidade — dos ganhos recentes.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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