Giro do Mercado

Audiência nos EUA sobre tarifas de 25% é a ‘chance final’ do setor privado brasileiro, diz sócio da Cordier Investimentos

06 jul 2026, 14:39 - atualizado em 06 jul 2026, 14:39
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(Imagem: tzahiV/Getty Images Signature)

Nesta segunda-feira (6), acontece o primeiro encontro da audiência pública para discutir as novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos (EUA), em Washington.

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Gustavo Pedroso, sócio da Cordier Investimentos, lembra que os EUA abriram uma investigação contra o Brasil baseada numa lei antiga chamada Seção 301, e que isso deve movimentar o câmbio, Bolsa e exportações brasileiras.

“É basicamente um instrumento usado quando os EUA querem dizer que outro país está jogando sujo no comércio. A partir disso, eles podem aplicar uma tarifa sobre os produtos que a gente exporta para lá”, afirmou Pedroso no Giro do Mercado desta segunda-feira (6).

A investigação concluída em junho pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) apontou o Pix como uma concorrência desleal ao sistema americano de pagamentos, além de questões ambientais ligadas ao desmatamento, acordos comerciais preferenciais, corrupção e pirataria.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), até 4.187 produtos brasileiros podem ser afetados, somando US$ 14,9 bilhões em exportações.

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Entre os produtos potencialmente atingidos estão aeronaves e componentes, máquinas e equipamentos industriais, autopeças, siderurgia, celulose, papel, madeira, além de café, suco de laranja, carnes, frutas e rochas ornamentais.

No entanto, Pedroso afirma que o agronegócio e alguns setores podem ser menos prejudicados nessa história, porque há uma lista de exceções com quase 700 produtos que não serão afetados pela nova tarifa.

“O café, a carne bovina, as aeronaves da Embraer, terras raras, tudo isso está protegido. Quem fica mais exposto é o setor industrial e de produtos de maior valor agregado”, destaca.

Como funciona a audiência?

A audiência será dividida em 14 painéis ao longo de hoje e amanhã. Cada participante tem cinco minutos para resumir argumentos já enviados por escrito ao USTR.

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Além de entidades e empresas brasileiras, também participam importadores, distribuidores e associações dos EUA impactados pela proposta. Entre eles, estão a CNI, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além de empresas como Weg (WEGE3), Bauducco e Suzano (SUZB3), e ainda o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Depois das exposições, integrantes do USTR podem fazer perguntas pontuais aos participantes, sendo que as contribuições entram na análise que embasará a recomendação à Casa Branca sobre a aplicação da sobretaxa.

“É a chance final do nosso setor privado tentar reverter ou suavizar essa tarifa. É algo para acompanhar de perto nos próximos dias, porque qualquer sinal de acordo ou de escalada tende a mexer diretamente no dólar e na bolsa daqui até o próximo dia 15, quando está prevista a decisão do governo americano”, afirma o sócio da Cordier.

*Sob supervisão de Juliana Américo

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Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.
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