Auditoria se recusa a opinar sobre resultado da Fictor Alimentos (FICT3)

16 jun 2026, 19:36 - atualizado em 16 jun 2026, 19:36
Fictor é um dos principais patrocinadores da Sociedade Esportiva Palmeiras.
Fictor é um dos principais patrocinadores da Sociedade Esportiva Palmeiras. Foto: Reprodução.

A auditoria independente da Fictor Alimentos (FICT3) se recusou a emitir opinião sobre parte relevante das demonstrações financeiras de 2025 da companhia, que entrou em recuperação judicial neste ano.

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Em relatório divulgado junto ao balanço anual, a RSM informou que não expressou opinião sobre as demonstrações do resultado, do resultado abrangente, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa da empresa referentes ao exercício encerrado em dezembro de 2025.

Segundo a auditoria, o problema está relacionado à impossibilidade de validar os estoques da Fictor Alimentos Betim, subsidiária criada para operar uma unidade industrial arrendada em Betim (MG), principal operação da companhia.

“Não nos foi possível acompanhar a referida contagem física, tampouco aplicar procedimentos alternativos que nos permitissem obter evidência de auditoria apropriada e suficiente acerca das quantidades e da correspondente valorização dos estoques registrados”, afirmou a RSM no documento.

A auditora explicou que foi contratada apenas após a realização do inventário físico dos estoques da subsidiária. Como consequência, declarou não ser possível validar o custo dos produtos vendidos, registrado em R$ 79,8 milhões, nem determinar eventuais impactos sobre o resultado da companhia.

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O episódio ocorre após mudanças na auditoria da companhia.

A UHY Bendoraytes encerrou seu relacionamento com a Fictor em fevereiro de 2026, após a empresa entrar na recuperação judicial da sua holding. Em março, o conselho de administração aprovou a contratação da RSM para revisar as demonstrações financeiras de 2025 e as informações trimestrais de 2026.

Operação acumulou prejuízos e foi descontinuada

As demonstrações financeiras mostram que a operação industrial gerou receita líquida consolidada de R$ 77,1 milhões em 2025, mas registrou custo dos produtos vendidos de R$ 79,8 milhões, resultando em prejuízo bruto de R$ 2,8 milhões.

No consolidado, a Fictor encerrou o ano com prejuízo de R$ 23,4 milhões.

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A companhia também reconheceu uma perda de equivalência patrimonial de R$ 18,6 milhões relacionada à subsidiária de Betim.

Após o encerramento do exercício, a administração decidiu encerrar as operações da unidade. Segundo a empresa, a viabilidade econômica do projeto dependia da realização de novos investimentos e foi afetada por restrições de liquidez e dificuldades de acesso a financiamento.

A Fictor Alimentos passou a integrar o processo de recuperação judicial do grupo Fictor em fevereiro deste ano. O processamento da recuperação foi deferido pela Justiça em 17 de abril.

No relatório de auditoria, a RSM destacou a recuperação judicial como uma incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia.

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Já a administração afirmou que fatores como os prejuízos acumulados, a descontinuidade da operação industrial, as restrições de liquidez e o próprio processo de recuperação judicial geram incertezas sobre a continuidade dos negócios, embora sustente que as demonstrações financeiras foram preparadas com base no pressuposto de continuidade operacional.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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