Avibras: Conheça a fabricante de mísseis e tecnologia aeroespacial comprada pelos irmãos Batista
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a aprovação, sem restrições, da compra da Avibras pela sociedade dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS.
Se essa liberação for mesmo confirmada, deve marcar a virada de página de uma das maiores crises da indústria de defesa do país. Sediada em Jacareí (SP), a Avibras se encontrava em recuperação judicial desde 2022, acumulando dívidas de aproximadamente R$ 600 milhões.
A Avibras desenvolve sistemas de artilharia, mísseis, foguetes e equipamentos de defesa antiaérea. A empresa também atua no setor espacial, com motores-foguete, sistemas de propulsão e veículos suborbitais. A fabricante tem como parceiros o governo do Brasil e as Forças Armadas.
O que a Avibras fabrica
O portfólio da companhia combina projetos consolidados no mercado internacional e novas tecnologias em fase de homologação:
Sistema ASTROS: plataforma móvel de artilharia usada pelo Exército e em mercados externos para defesa de costa e litoral, com alcance de disparo de até 300 quilômetros.
Míssil Tático de Cruzeiro (MTC): armamento de precisão tática de longa distância em processo final de certificação.
Linha Skyfire e defesa antiaérea: Foguetes de 70 milímetros terrestres e aéreos, além do sistema antiaéreo FILA para proteção a baixas altitudes.
Divisão aeroespacial: Desenvolvimento do propulsor sólido S50, componente fundamental para os veículos lançadores do Programa Espacial Brasileiro, como o VLM-1 e a plataforma suborbital VS-50.
Crise e retomada
A crise da companhia eclodiu em março de 2022 com a demissão de 400 funcionários e o pedido de recuperação judicial, desencadeando uma paralisação trabalhista que se estendeu por 1.280 dias.
O processo de retomada ganhou tração em maio de 2026, quando a fábrica voltou a operar com 480 trabalhadores. No mesmo mês, o Ministério da Defesa concedeu à Avibras Aeroco o status de Empresa Estratégica de Defesa (EED).
A sinalização do governo federal de ampliar as encomendas estatais se consolidou após visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às instalações paulistas, em julho deste ano.
A consolidação do negócio com os empresários brasileiros ocorreu logo após a injeção recente de R$ 300 milhões promovida pelos irmãos Batista na estrutura da fábrica. A entrada do capital nacional afasta definitivamente o interesse estrangeiro que rondava as instalações de Jacareí.
Antes, a companhia esteve no centro de tratativas de venda com a estatal de defesa chinesa Norinco e chegou perto de ser arrematada pela australiana DefendTex, transação travada pelo governo federal.
* Sob supervisão de Maria Carolina Abe