Empresas

Azul (AZUL3): Gol e IPSConsumo acionam Cade como terceiras interessadas em aporte da American

28 abr 2026, 17:03 - atualizado em 28 abr 2026, 17:03
Azul, AZUL4, Gol, GOLL4, Empresas, Aéreas, Companhias
(Imagem: REUTERS/Ricardo Moraes)

A operação que prevê aporte da American Airlines na Azul (AZUL3) encontrou duas pedras no sapato: os pedidos de entrada da Gol (GOLL54) e do IPSConsumo como terceiras partes interessadas no processo que corre no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em meio ao processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11) da Azul, a American e a United Airlines firmaram acordo para aportar, cada uma, US$ 100 milhões para apoiar a reestruturação da aérea brasileira.

Enquanto o aporte da United já obteve a aprovação necessária do Cade, o aporte da American ainda passa por análise da autarquia. A operação prevê dar a cada uma delas uma participação de cerca de 8% na aérea brasileira.

A Azul tem um codeshare há mais de 12 anos com a United Airlines e existe um acordo para expandir isso para a American, como um movimento natural tendo em vista que participarão da base acionária, segundo falas do CEO da Azul, John Rodgerson, à época do anúncio da saída do Chapter 11.

As pedras no sapato da Azul

O prazo para a entrada como terceiro interessado no processo encerrou na segunda-feira (27), e teve a entrada da Gol e do Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPSConsumo).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A Abra, controladora da Gol e Avianca, que antes chegou a negociar com a Azul uma possível fusão, agora levanta dúvidas sobre o controle e afirma que a operação não corresponde a um mero investimento passivo da companhia americana na brasileira.

“A verdade é que a operação deve ser analisada no contexto de uma aquisição coordenada de controle de um concorrente em rotas aéreas entre Brasil e Estados Unidos — a Azul — pelo líder histórico de tal mercado — a American Airlines — e por sua respectiva principal concorrente nos Estados — a United Airlines”, sustenta a Abra na petição apresentada ao Cade.

As alegações da Abra envolvem dano antitruste em relação à operação, principalmente por conta da criação de um Comitê Estratégico na governança da Azul, o que, segundo a empresa, evidencia que a operação não corresponde a uma mera participação societária minoritária sob a ótica antitruste.

“Na verdade, a operação possibilitará — de fato e perenemente — controle, por parte da American Airlines — e, conjuntamente, também por parte da United Airlines, Inc. —, em discussões e matérias estratégicas e importantes na Azul, inclusive a respeito de decisões e questões comerciais, empresariais e de negócio”, diz o grupo latino-americano na petição.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na visão da Abra, ainda que a operação entre a Azul e a American tenha sido formalmente notificada ao Cade como uma mera aquisição de participação societária minoritária sem controle, ela não pode ser analisada como um simples investimento financeiro passivo.

“O fato é que a operação está inserida em contexto mais amplo e profundo de alinhamento e aproximação entre concorrentes relevantes em transporte aéreo entre Brasil e Estados Unidos”, prossegue a petição.

A Abra destaca ainda que a operação reúne três das cinco principais companhias aéreas atuantes no mercado, responsáveis, historicamente, por mais de 50% dele.

A holding sustenta que a operação compromete a contestabilidade do mercado ao dificultar, ou mesmo passar a impedir, acordos, como, por exemplo, de codeshare e interline, entre outras companhias brasileiras, de um lado, e American Airlines, United Airlines e Delta Air Lines – já parceira da Latam -, do outro lado. “

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Tal cenário tende a gerar prejuízos concretos aos consumidores brasileiros, na medida em que pode reduzir a variedade de O&Ds (pares origens e destinos) disponíveis”, completa.

Além da Gol, o que diz o IPSConsumo?

A presidente do IPSConsumo e ex-secretária Nacional do Consumidor, Juliana Pereira, argumenta que o caso apresenta riscos relevantes à coletividade, além de fortes indícios de gun jumping (consumação prematura de atos de concentração de mercado).

De acordo com o instituto, a entrada como terceiro interessado tem três objetivos:

  • Investigação pelo Cade de prática de gun jumping;
  • Se confirmado, que as empresas sejam multadas por prática ilegal e claro desrespeito institucional;
  • Clareza de que a presença da American Airlines na Azul é muito maior do que ‘uma mera aquisição’, mas um arranjo que envolve também a United Airlines e tem repercussões que podem alcançar a própria concorrente Gol.

O IPSConsumo pondera que as alegações da Gol parecem focar no risco ao próprio negócio, enquanto a preocupação do IPSConsumo, por sua vez, é essencialmente com o impacto da concentração sobre o consumidor brasileiro, sobre tarifas e sobre a qualidade do serviço aéreo como um todo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Mas tanto IPSConsumo quanto GOL apontam para a mesma raiz de problema, que são os claros conflitos de interesse e a hiperconcentração do mercado nas rotas Brasil-Estados Unidos, de modo que, sem uma análise profunda do Cade, há o risco da concorrência passar a existir apenas no papel”, defende o instituto.

“O risco não está no tamanho da fatia adquirida, mas em quem a compra e em quantos lugares essa compradora já está e influência ao mesmo tempo”, explica a presidente.

Pelo acordo com a Azul, American e United Airlines passarão a indicar membros para o Conselho de Administração e para o Comitê Estratégico da Azul. Ao mesmo tempo, a American mantém representante no conselho da Gol e um codeshare com a concorrente da Azul.

“É necessária uma análise rigorosa sobre o seguinte fato: AA e UA, duas rivais estrangeiras da Azul, passam a controlar a companhia e a ter acesso simultâneo a informações estratégicas de Azul e Gol, em um ambiente estruturalmente propício à coordenação entre as duas maiores aéreas brasileiras, para não falar sobre os próprios efeitos ao mercado americano na rota EUA-Brasil,”, diz Juliana.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

*Com informações do Estadão Conteúdo

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
Linkedin
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
Linkedin
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar