Divórcio entre Azzas e Grupo Soma: Ainda vale investir em fusões? Veja as recomendações do JP Morgan, Itaú BBA e Empiricus
Depois da separação da Azzas e do Grupo Soma, os holofotes se voltaram às fusões e parceiras do mercado brasileiro. No Money Picks desta semana, os jornalistas do Money Times apresentam algumas empresas da bolsa brasileira que se juntaram. Ainda, eles analisam se esses relacionamentos estão dando certo ou não — e se é hora de comprar ou vender as ações.
1 – Azzas 2154 (AZZA3)
Com o fim da parceria, a Azzas será dividida em duas empresas independentes. A Arezzo&Co ficará com marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri e Hering, enquanto a Soma reunirá Animale, NV, Reserva e outras grifes. Já a Farm ficará em uma terceira companhia, compartilhada pelos dois grupos, abrindo caminho para uma possível venda ou IPO no futuro.
O JP Morgan avaliou a separação de forma positiva, principalmente por encerrar os conflitos de governança e permitir que cada empresa volte a ter gestão e estratégia próprias. Apesar disso, ainda não está claro como serão distribuídos caixa, dívidas e ativos, e a cisão também pode eliminar parte das sinergias criadas após a fusão.
Por isso, apesar da melhora na governança e do preço atrativo das ações, o banco manteve recomendação neutra para a Azzas, com preço-alvo de R$ 24,60. Outras casas anunciaram que iriam realizar revisões nas suas recomendações, mas até o momento da gravação desses vídeos, não tivemos atualizações.
2 – Petz (AUAU3)
A parceria entre Cobasi e Petz parece estar andando bem até agora. O Itaú BBA retomou a cobertura do grupo com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 4,70 para o fim de 2027, um potencial de valorização de 32%.
O banco destaca a melhora operacional, o crescimento dos lucros e, principalmente, a maior geração de caixa. Além disso, Petz e Cobasi possuem lojas, categorias e processos bastante semelhantes, o que pode tornar a integração mais simples e facilitar a negociação conjunta com fornecedores.
Contudo, o Itaú BBA lembra que fusões carregam elevado risco de execução e que a cultura das empresas costuma ser uma das principai causas de fracasso.
A concorrência digital também preocupa. As vendas online já representam cerca de 41% do total e têm margens menores do que as lojas físicas. O mercado, no entanto, ainda aguarda a prova que as empresas conseguirão transformar a maior escala e as sinergias prometidas em resultados para os acionistas.
3 – Magalu (MGLU3) e Mercado Livre
Mesmo concorrentes, o Magazine Luiza e o Mercado Livre fecharam uma parceria. A ideia é que os produtos dos estoques próprios do Magalu, do KaBuM! e da Época Cosméticos sejam vendidos dentro do marketplace do Mercado Livre.
Para o Safra, o acordo é positivo para os dois lados, mas beneficia principalmente o Magazine Luiza. A varejista passa a acessar uma plataforma que concentra cerca de 37% do comércio eletrônico brasileiro, alcançando consumidores que ainda não frequentam seu ecossistema.
A parceria pode adicionar aproximadamente R$ 3 bilhões por ano ao volume de vendas do Magalu, segundo o banco. Apesar do potencial do acordo, o Safra manteve recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 6. Ou seja, o relacionamento parece vantajoso, mas ainda precisa mostrar resultados antes de ficar mais sério.
4 – Rede D’Or (RDOR3) e SulAmércia
Quatro anos depois da Rede D’Or (RDOR3) comprar a SulAmérica, os números indicam que a união está entregando resultados. Segundo a Empiricus, após alguns trimestres de desaceleração, a Rede D’Or voltou aos trilhos no segundo trimestre de 2026.
No consolidado, o Ebitda da Rede D’Or chegou a R$ 2,9 bilhões, alta de 22%, enquanto o lucro líquido ajustado alcançou R$ 1,2 bilhão. Para a Empiricus, os resultados reforçam a capacidade de crescimento da companhia e mostram que esse casamento voltou a funcionar. Por isso, RDOR3 faz parte da carteira recomendada da casa.
O Money Picks vai ao ar toda segunda-feira, no canal do YouTube do Money Times.
*Sob supervisão de Juliana Américo