Balanço fraco, potencial enorme: bancos ainda projetam alta de 155% para Marcopolo (POMO4) após 3T26
Os resultados da Marcopolo (POMO4) no terceiro trimestre de 2026 foram fracos na avaliação de Safra e Itaú BBA, com queda nas vendas e pressão sobre a rentabilidade.
A leitura negativa repercute no desempenho da ação nesta manhã de quarta-feira (4). Por volta das 11h15 (horário de Brasília), os papéis recuavam 3,64%, a R$ 3,44.
A fabricante de carrocerias de ônibus registrou lucro líquido de R$ 187 milhões, enquanto a receita líquida caiu 8,5% na comparação anual, para R$ 2,29 bilhões. O Ebitda, indicador de desempenho operacional, recuou cerca de 35%, para R$ 274 milhões, com margem de 12%, ante 16,8% um ano antes.
Para os analistas, o balanço trouxe sinais de dificuldades que podem continuar nos próximos trimestres, com demanda mais fraca e possibilidade de novas despesas de reestruturação.
O que desagradou Safra e Itaú BBA
O Safra destaca que os resultados ficaram próximos de suas estimativas, mas bem abaixo do consenso do mercado. O lucro líquido foi 14,4% inferior ao esperado pelos analistas, enquanto o Ebitda ficou aproximadamente 16% abaixo das projeções.
Entre os principais pontos de pressão está a queda de 26% nos volumes consolidados. A Marcopolo entregou apenas dois veículos do programa Caminho da Escola no trimestre, ante 631 no mesmo período de 2025, além de enfrentar demanda doméstica mais fraca por ônibus urbanos.
As operações internacionais também pesaram. Segundo o Safra, os volumes caíram 66% no México, 62% na Argentina e 74% na África do Sul.
Com menos veículos produzidos, a companhia teve maior dificuldade para diluir os custos das fábricas. A valorização do real, que prejudicou as margens das exportações, e o aumento dos custos de matérias-primas também pressionaram a rentabilidade.
Já o Itaú BBA chama a atenção para a margem Ebitda de 12%, abaixo de sua projeção de 12,4%, e para os comentários da administração sobre a continuidade dos desafios.
A companhia registrou aproximadamente R$ 20 milhões em despesas de reestruturação. Sem esses gastos, a margem Ebitda teria alcançado 12,8%. O problema, segundo o Itaú, é que despesas semelhantes podem voltar a ocorrer no quarto trimestre.
O Money Times conversou recentemente com o CEO da companhia, André Armaganijan, que falou mais sobre as estratégias da companhia para os próximos anos. Assistas na íntegra.
O receio do Itaú BBA para 2027
Na avaliação do Itaú BBA, o balanço piora a tese de investimento da Marcopolo. Embora reconheça fatores pontuais no trimestre, como a ausência de entregas do Caminho da Escola, o banco vê obstáculos persistentes que podem exigir uma revisão das expectativas.
As reestruturações em andamento no Brasil e no México sugerem, para os analistas, que a administração espera que o cenário de volumes pouco aquecidos continue por algum tempo.
O principal receio é que a pressão sobre as margens provoque cortes nas projeções de lucro para 2027. Segundo o relatório, o consenso da Bloomberg aponta para um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão no próximo ano, estimativa que pode ser revista para baixo caso o ambiente operacional permaneça fraco.
Há, porém, pontos de sustentação. O Itaú BBA destaca a geração de caixa operacional de R$ 300 milhões e o baixo endividamento do segmento industrial. O Safra ressalta o início da produção de veículos do Caminho da Escola no quarto trimestre, que pode ajudar na recuperação dos volumes.
Mesmo assim, bancos veem espaço para valorização
Apesar do balanço fraco e dos riscos à frente, Safra e Itaú BBA mantêm recomendação outperform para POMO4 – que equivale a compra – indicando expectativa de desempenho superior à média de referência de cada instituição.
O Itaú BBA tem preço-alvo de R$ 7,50, com potencial de valorização de 100,5% sobre a cotação de R$ 3,74 utilizada em seu relatório. Já o Safra estabelece preço-alvo de R$ 9,10, o que representa uma alta potencial de 155% sobre o preço de referência de R$ 3,57.
Portanto, mesmo diante da queda do lucro e da pressão sobre as margens, os preços-alvo dos bancos ainda apontam espaço para a ação mais do que dobrar de valor.