Balanços à vista: O que esperar de Multiplan, Iguatemi e Allos no 1T26, segundo analistas
A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 (1T26) começou nesta semana, e as empresas de shopping centers devem mostrar, mais uma vez, a resiliência de seus ativos, segundo analistas.
De acordo com o Itaú BBA, o setor tende a apresentar crescimento operacional sólido, embora os juros elevados continuem pressionando a geração de caixa recorrente.
A avaliação do banco é de que as vendas dos lojistas devem acelerar em relação ao trimestre anterior, voltando a avançar em ritmo de médio a alto, o que reforçará a força dos portfólios premium, mesmo em um cenário macroeconômico ainda desafiador.
Por outro lado, a casa pondera que a receita de aluguel deve crescer em compasso mais moderado. Isso porque a inflação medida pelo IGP-DI, índice que corrige boa parte dos contratos de locação do segmento, segue em patamar baixo, limitando os reajustes.
Na mesma linha, o Santander espera métricas operacionais robustas no primeiro trimestre, sustentadas pelo aumento das vendas em mesmas lojas (SSS) e taxas de ocupação resilientes.
Ao mesmo tempo, a instituição aponta que os resultados devem ser marcados por eventos não recorrentes, tanto do lado positivo como do desfavorável.
“Esperamos um 1T26 repleto de acontecimentos pontuais. Acreditamos que o reconhecimento dos ganhos com a venda de ativos durante deverá impulsionar os resultados da Multiplan e da Iguatemi, enquanto a Allos irá, provavelmente, reportar números mais fracos, refletindo os impactos negativos do incêndio no Shopping Tijuca (RJ), no início de janeiro”, afirmou o banco, em relatório.
Multiplan
Entre as empresas específicas, a Multiplan (MULT3) abre a temporada de resultados do setor nesta quarta-feira (29), após o fechamento do mercado.
Segundo o Itaú BBA, que tem a companhia como sua principal escolha (top pick) no segmento, a receita líquida da empresa pode alcançar R$ 843 milhões entre janeiro e março, alta de 63,5% frente ao mesmo período do ano passado.
Já o EBITDA (lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) é projetado em R$ 589 milhões, avanço de 47,1%, impulsionado pelo reconhecimento da venda de uma participação no BH Shopping.
Excluindo esse efeito, a casa estima um crescimento anual do EBITDA ajustado 7,1%, enquanto prevê um FFO (indicador que mede a geração de caixa operacional) de R$ 239 milhões, queda de 16,3%, devido ao impacto dos juros mais altos sobre as despesas financeiras.
“No geral, continuamos confiantes de que os shoppings dominantes continuarão apresentando um desempenho superior no médio a longo prazo”, disse o Itaú BBA.
O Santander tem projeções semelhantes para a Multiplan: receita líquida de R$ 841 milhões e AFFO de R$ 333,4 milhões.
Iguatemi
Já a Iguatemi (IGTI11), que publica seu balanço em 5 de maio, pode apresentar, de acordo com o BBA, crescimento de 9,6% na receita líquida em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Na avaliação do banco, o desempenho deve ser sustentado, além da aceleração das vendas nas mesmas lojas, pela expansão da operação iRetail e pelo reconhecimento final de ganhos com a venda de ativos.
A unidade iRetail, cabe ressaltar, é uma operação da Iguatemi que busca o desenvolvimento de marcas premium e de luxo no Brasil.
Allos
Para a Allos (ALOS3), o Santander espera que a companhia reporte receita líquida de R$ 656,9 milhões, alta de 6,2% em relação ao 1T25. O avanço, porém, deve ser limitado pelos efeitos do incêndio no Shopping Tijuca.
O AFFO é estimado em R$ 292,8 milhões, alta de 8,9% na comparação anual. Em termos por ação, o crescimento projetado é de 9,2%, favorecido pelo programa de recompra realizado nos últimos 12 meses.
Confira, a seguir, as expectativas detalhadas:
| Empresa | Casa | Receita líquida no 1T26 | Variação anual | EBITDA no 1T26 | Variação anual |
|---|---|---|---|---|---|
| Multiplan | Itaú BBA | R$ 843 milhões | +64% | R$ 418 milhões | +7,1% |
| Multiplan | Santander | R$ 841 milhões | +63,1% | R$ 502 milhões | +28,5% |
| Iguatemi | Itaú BBA | R$ 363 milhões | +9,6% | R$ 253 milhões | +1,6% |
| Iguatemi | Santander | R$ 361,4 milhões | +9,2% | R$ 385,9 milhões | +58% |
| Allos | Santander | R$ 656,9 milhões | +6,2% | R$ 458,5 milhões | + 4,9% |