Banco aponta 2 favoritas no setor de saúde — e uma delas pode pagar bons dividendos
Rede D’or (RDOR3) e Bradsaúde (SAUD3) são as ações preferidas do UBS BB no setor de saúde brasileiro. O banco iniciou a cobertura dos papéis nesta segunda-feira (21).
Além das duas preferidas, o banco iniciou cobertura de Dasa (DASA3) com recomendação de compra, enquanto Fleury (FLRY3) e Hapvida (HAPV3) receberam recomendação neutra.
Em relatório, o analista Olavo Arthuzo avalia que o setor se recuperou “amplamente” do choque provocado pela pandemia.
Com a normalização dos índices de sinistralidade média (MLR, na sigla em inglês) e a melhora na rentabilidade, segundo ele, o desempenho do setor dependerá cada vez mais da execução específica de cada empresa, especialmente da capacidade de monetizar a complexidade clínica, melhorar a eficiência e otimizar a alocação de capital.
Confira as empresas, recomendações e preço-alvos da cobertura do UBS BB:
| Ação | Recomendação | Preço-alvo |
|---|---|---|
| Rede D’Or (RDOR3) | Compra | R$ 48,00 |
| Bradsaude (SAUD3) | Compra | R$ 19,00 |
| Dasa (DASA3) | Compra | R$ 3,90 |
| Fleury (FLRY3) | Neutro | R$ 23,30 |
| Hapvida (HAPV3) | Neutro | R$ 7,80 |
Complexidade clínica favorece Rede D’Or
Entre os principais temas para o setor, o banco destaca a complexidade clínica, especialmente em procedimentos hospitalares complexos e oncologia, como uma fonte estrutural de crescimento e poder de precificação.
Nesse cenário, a Rede D’Or é apontada como a empresa mais bem posicionada entre as companhias cobertas para capturar essa tendência, graças à escala, às capacidades clínicas e à rede hospitalar.
O UBS BB também destaca que a escala, a densidade cirúrgica e a complexidade clínica da companhia reforçam seu poder de negociação com as operadoras de planos de saúde.
“A SulAmérica internaliza parte dessa negociação e mantém um colchão de geração de resultados em suas reservas, enquanto a joint venture com o Bradesco transforma uma das maiores operadoras em co-investidora”, destaca o analista Olavo Arthuzo.
Bradesco Saúde: dividendos e consolidação
A Bradsaúde é o outro nome preferido do UBS BB. Na visão do banco, a companhia se destaca como uma empresa de dividendos e uma consolidadora do setor, além de apresentar uma fonte de opcionalidade.
A tese de dividendos é sustentada pela renda gerada pela carteira de títulos do grupo. O banco estima que o dividend yield da companhia avance de aproximadamente 4% em 2026 para cerca de 7,5% em 2027.
A consolidação do setor também deve beneficiar a empresa, segundo o banco. A expectativa é que as pressões estruturais levem operadores menores a deixar o mercado, enquanto os beneficiários migram para as maiores operadoras.
A opcionalidade, por sua vez, é a joint venture hospitalar Atlantica, formada com a Rede D’Or. O banco projeta que a operação represente 13% dos lucros consolidados no longo prazo.
Dasa é aposta de recuperação
O UBS BB também tem recomendação de compra para Dasa.
Segundo o analista, a companhia representa “uma história de recuperação sustentada pela melhora dos fundamentos de diagnósticos e por um potencial significativo de desalavancagem”.
O banco projeta crescimento da receita de diagnósticos acima do mercado e espera uma melhora na conversão de caixa e na execução operacional, reduzindo a alavancagem da companhia.
A Rede Americas aparece como uma fonte adicional de potencial de alta. No entanto, o banco pondera que a recuperação da plataforma hospitalar ainda está em andamento, enquanto a alavancagem permanece elevada e a estrutura de governança é complexa.
Fleury e Hapvida têm recomendação neutra
Para a Fleury, o banco destaca a qualidade do negócio de diagnósticos e a geração previsível de caixa. A projeção é de crescimento de aproximadamente 7% da receita, margens Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) amplamente estáveis e melhora na conversão para Fluxo de Caixa Livre ao Acionista (FCFE, na sigla em inglês)
Por outro lado, a avaliação é de que essas perspectivas já estão precificadas na ação FLRY3.
Já a Hapvida é vista como uma história de recuperação que ainda precisa apresentar mais evidências de uma melhora sustentável do índice de sinistralidade médica (MLR).
O banco utiliza dados divulgados sob o IFRS 17 para acompanhar a evolução do componente de perdas e do MLR em caixa, além de avaliar o potencial de aproveitamento de ativos fiscais relacionados a ágio.