Safras

14 mil produtores se unem em manifesto que pede expansão da agricultura regenerativa no Brasil

21 set 2026, 16:46 - atualizado em 21 set 2026, 16:47
agricultura regenerativa agronegócio
(Foto: Simone Padovani/Getty Images)

Uma rede formada por 14 mil produtores rurais e entidades do agronegócio se uniu em um manifesto para defender a expansão da agricultura regenerativa no Brasil e pedir medidas que acelerem a adoção dessas práticas no campo.

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O documento, intitulado “A nova safra do agro é regenerativa”, foi elaborado pela Frente Empresarial para a Regeneração da Agricultura (FERA) e defende maior acesso a crédito, assistência técnica e mercados que valorizem produtores envolvidos na transição.

Segundo a frente, a agricultura regenerativa já está presente em propriedades de diferentes regiões do país e pode ajudar o produtor a enfrentar desafios que vão das mudanças climáticas ao custo e à dependência de insumos químicos importados.

A proposta parte de práticas voltadas principalmente à recuperação e conservação do solo e dos recursos naturais, conciliando produção agrícola em escala com maior resiliência das propriedades.

De acordo com a Frente, solos manejados dessa forma podem apresentar maior capacidade de retenção de água e resistência em períodos de seca, enquanto pastagens bem manejadas podem permitir maior produção pecuária em uma mesma área.

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A entidade também destaca a possibilidade de recuperar áreas degradadas ou anteriormente consideradas pouco produtivas.

“Produtores de grãos, de gado, da agrofloresta à cana-de-açúcar provam, cada um à sua maneira, que cuidar da terra e produzir em escala são parte do mesmo caminho”, afirma a entidade no manifesto.

Crédito entra no centro da discussão

Para ampliar a agricultura regenerativa, porém, a Frente avalia que não basta a iniciativa individual dos produtores. Um dos principais pontos defendidos no documento é a criação e ampliação de políticas públicas capazes de considerar as particularidades da transição entre sistemas produtivos.

Entre elas está o acesso facilitado ao crédito rural. Na avaliação da entidade, as linhas de financiamento precisam considerar que a adoção de novas práticas demanda tempo e investimentos até que seus resultados apareçam integralmente na propriedade.

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A Frente também pede maior oferta de assistência técnica, sobretudo para produtores mais distantes dos grandes centros, além de mecanismos que aproximem esses agricultores de mercados dispostos a remunerar os atributos associados à produção regenerativa.

“Para que essa prática deixe de ser exceção em algumas propriedades e se torne o padrão do campo brasileiro, é preciso o que toda boa colheita exige: preparo do terreno”, diz o documento.

Clima e mercado pressionam por mudanças

O manifesto coloca a agricultura regenerativa também como uma resposta a mudanças estruturais enfrentadas pelo agronegócio.

Além de eventos climáticos mais frequentes e intensos, a Frente cita a dependência brasileira de insumos químicos importados e as novas exigências de consumidores e mercados internacionais em relação à origem e às condições de produção dos alimentos.

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Nesse contexto, a entidade argumenta que ampliar práticas regenerativas pode contribuir simultaneamente para a produtividade, a redução de riscos e a preservação da capacidade produtiva das propriedades no longo prazo.

A frente defende que governo, empresas, produtores e demais integrantes da cadeia agropecuária atuem conjuntamente para levar essas práticas a uma parcela maior do campo brasileiro.

Veja a nota na íntegra

A NOVA SAFRA DO AGRO É REGENERATIVA

Por um Brasil que produz, cuida da terra e garante o futuro

Há um Brasil que já colhe, hoje, a resposta para uma pergunta que o mundo inteiro ainda tenta responder: como produzir em larga escala e também alimentar bilhões de pessoas sem esgotar a terra que sustenta essa fartura? Esse Brasil está em produção, agora, em milhares de fazendas espalhadas por todas as regiões do país, onde produtoras e produtores rurais vêm mostrando, na prática, que é possível produzir restaurando o solo e os mananciais, com segurança, resiliência climática, com aumento de produtividade e diminuição de custos.

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Chamamos esse caminho de agricultura regenerativa. O modelo produtivo que tem ganhado cada vez mais hectares pelo país pode parecer até novo, mas o impulso que o movimenta, não. É o mesmo impulso que, décadas atrás, transformou o Brasil em uma das maiores potências agrícolas do planeta: a capacidade de testar, ajustar e evoluir diante de cada novo desafio.

Hoje, o desafio é um clima que muda mais rápido do que o calendário agrícola, a dependência e os custos dos insumos químicos importados e a necessidade de se ajustar às novas demandas de consumidores brasileiros e de mercados internacionais, cada vez mais exigentes com a origem do alimento. A resposta para cada uma dessas questões nasce, mais uma vez, de dentro da própria lavoura.

O resultado já aparece na safra do produtor regenerativo. Solo cuidado retém mais água e resiste melhor aos anos de seca. Pastagens bem manejadas sustentam mais gado, com mais saúde animal, na mesma área. Terras antes exauridas voltam a produzir, e produzem mais do que produziam antes de serem abandonadas. O alimento que sai dessas terras chega às mesas do Brasil e do mundo com mais qualidade, com menos risco, com uma origem que pode ser contada com orgulho.

É uma história de continuidade, escrita por quem nunca deixou de plantar. Produtores de grãos, de gado, da agrofloresta à cana-de-açúcar provam, cada um à sua maneira, que cuidar da terra e produzir em escala são parte do mesmo caminho, construído com modernidade, técnica e mais visão de futuro e de legado.

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Mas nenhuma safra nasce sozinha. Todo produtor, do iniciante ao mais experiente, sabe que só frutifica aquilo que é plantado com esmero. Para que essa prática deixe de ser exceção em algumas propriedades e se torne o padrão do campo brasileiro, é preciso o que toda boa colheita exige: preparo do terreno.

É preciso investir em políticas públicas com acesso a crédito facilitado, que reconheça o tempo da transição, assistência técnica que chegue a quem está longe dos grandes centros e acesso a mercados dispostos a valorizar quem já entrega esse resultado.

Nós, da Frente Empresarial para a Regeneração da Agricultura, reunimos uma rede de 14 mil produtores rurais e entidades do setor comprometidas com essa transição.

Em nome de cada uma dessas pessoas que estão com as mãos na terra e plantando esse futuro, convidamos o poder público, o setor produtivo do agronegócio e a sociedade brasileira a reconhecerem, nesta safra, a oportunidade de liderarmos uma transformação produtiva mundial.

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Podemos construir juntos um Brasil que siga alimentando o mundo, que garanta renda e segurança a quem vive da terra, e que atravesse as próximas décadas com o solo, e o futuro, mais férteis do que os encontrou. Esse é o imperativo do presente. Convidamos vocês a virem com a gente nessa evolução.

A nova safra do agro é regenerativa. Vamos plantá-la e colhê-la juntos.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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