Banco do Brasil (BBAS3): CFO dá recado sobre dividendos extraordinários e rentabilidade; mais apetite?
O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o trimestre com lucro e rentabilidade acima do esperado, o que pode alimentar a esperança de investidores por mais dividendos e melhora estrutural da rentabilidade.
Porém, o CFO do banco, Giovanne Tobias, tratou de colocar a bola no chão. Em conferência com jornalistas, afirmou que a instituição não dará um passo maior que a perna.
‘A nossa maior preocupação é garantir a sustentabilidade dos resultados’, disse.
Em janeiro, o banco renovou sua política de dividendos, com payout de 30%. Analistas estimam um dividend yield entre 4% e 5% para o BB. Nos tempos áureos, esse percentual já chegou a 10%.
Outra possibilidade seria o pagamento de dividendos extraordinários, hipótese mencionada pelo banco no ano passado. Mas, segundo o executivo, essa alternativa ainda é prematura.
‘O importante é saber que, à medida que conseguimos executar nossa estratégia, vamos elevar a rentabilidade para o patamar que consideramos ideal para o Banco do Brasil. Para os próximos três anos, temos uma situação confortável, mas que não nos permite falar em dividendos extraordinários.’
Rentabilidade vai continuar escalando?
Para 2025, o CFO projeta um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) entre 15% e 16%, na melhor das hipóteses — ainda distante dos cerca de 20% que parte do mercado considera ideal.
‘Isso dependerá muito da rapidez com que os agricultores que estenderam suas dívidas consigam se recuperar. Dependerá também da nossa eficiência e da dinâmica da demanda’, afirmou.
Já o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Bittencourt, disse que a carteira do agro deve continuar apresentando inadimplência elevada no primeiro trimestre, possivelmente avançando até abril, reflexo de operações da safra anterior, contratadas sob metodologia antiga, que agora estão vencendo.
‘A expectativa é que, com a nova metodologia de concessão e uma matriz de risco mais resiliente, comecemos a ver resultados a partir do segundo trimestre. No segundo semestre, a tendência é de queda mais expressiva da inadimplência’, afirmou.
Uma das estratégias adotadas para enfrentar a deterioração da carteira foi a criação da linha BB Regulariza Agro, lançada em outubro de 2025, com condições especiais para renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos.
Até o último dia 10, a linha somava R$ 35,5 bilhões, sendo R$ 32,2 bilhões em recursos livres e R$ 3,3 bilhões em fontes supervisionadas.
Fundo Garantidor entra na conta
Como esperado, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) também entrou na discussão. O BB estima que terá de aportar cerca de R$ 5 bilhões para recompor o caixa do fundo após a liquidação do Banco Master.
Entre as medidas aprovadas está a antecipação de cinco anos de contribuições regulares dos bancos ainda neste ano.
‘Anualmente, considerando nossa média de captações, contribuímos com cerca de R$ 1 bilhão. Arredondando, vamos antecipar R$ 5 bilhões’, explicou Tobias, destacando que a operação terá impacto de caixa.
Outra regra prevê uma alíquota extraordinária equivalente a 50% da alíquota tradicional. Segundo o CFO, isso deve representar algo entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões adicionais por ano em despesas financeiras.
Ao comentar o caso, a CEO Tarciana Medeiros afirmou que o episódio traz aprendizados importantes para eventuais ajustes na legislação e na regulação, caso necessário.
‘Precisamos entender exatamente quais foram as falhas que levaram a esse desfecho. Elas ocorreram e precisam ser corrigidas. Acredito que o trabalho daqui para frente é de diálogo entre os agentes, para que se façam os ajustes necessários e que isso não volte a ocorrer’, afirmou.
Com Reuters