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Banco do Brasil (BBAS3): CFO dá recado sobre dividendos extraordinários e rentabilidade; mais apetite?

12 fev 2026, 13:56 - atualizado em 12 fev 2026, 14:55
Giovanne Tobias
O CFO do banco, Giovanne Tobias, tratou de colocar a bola no chão. Em conferência com jornalistas, afirmou que a instituição não dará um passo maior que a perna (Imagem: iStock.com/Alison Calazans)

O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o trimestre com lucro e rentabilidade acima do esperado, o que pode alimentar a esperança de investidores por mais dividendos e melhora estrutural da rentabilidade.

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Porém, o CFO do banco, Giovanne Tobias, tratou de colocar a bola no chão. Em conferência com jornalistas, afirmou que a instituição não dará um passo maior que a perna.

‘A nossa maior preocupação é garantir a sustentabilidade dos resultados’, disse.

Em janeiro, o banco renovou sua política de dividendos, com payout de 30%. Analistas estimam um dividend yield entre 4% e 5% para o BB. Nos tempos áureos, esse percentual já chegou a 10%.

Outra possibilidade seria o pagamento de dividendos extraordinários, hipótese mencionada pelo banco no ano passado. Mas, segundo o executivo, essa alternativa ainda é prematura.

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‘O importante é saber que, à medida que conseguimos executar nossa estratégia, vamos elevar a rentabilidade para o patamar que consideramos ideal para o Banco do Brasil. Para os próximos três anos, temos uma situação confortável, mas que não nos permite falar em dividendos extraordinários.’

Rentabilidade vai continuar escalando?

Para 2025, o CFO projeta um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) entre 15% e 16%, na melhor das hipóteses — ainda distante dos cerca de 20% que parte do mercado considera ideal.

‘Isso dependerá muito da rapidez com que os agricultores que estenderam suas dívidas consigam se recuperar. Dependerá também da nossa eficiência e da dinâmica da demanda’, afirmou.

Já o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Bittencourt, disse que a carteira do agro deve continuar apresentando inadimplência elevada no primeiro trimestre, possivelmente avançando até abril, reflexo de operações da safra anterior, contratadas sob metodologia antiga, que agora estão vencendo.

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‘A expectativa é que, com a nova metodologia de concessão e uma matriz de risco mais resiliente, comecemos a ver resultados a partir do segundo trimestre. No segundo semestre, a tendência é de queda mais expressiva da inadimplência’, afirmou.

Uma das estratégias adotadas para enfrentar a deterioração da carteira foi a criação da linha BB Regulariza Agro, lançada em outubro de 2025, com condições especiais para renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos.

Até o último dia 10, a linha somava R$ 35,5 bilhões, sendo R$ 32,2 bilhões em recursos livres e R$ 3,3 bilhões em fontes supervisionadas.

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Fundo Garantidor entra na conta

Como esperado, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) também entrou na discussão. O BB estima que terá de aportar cerca de R$ 5 bilhões para recompor o caixa do fundo após a liquidação do Banco Master.

Entre as medidas aprovadas está a antecipação de cinco anos de contribuições regulares dos bancos ainda neste ano.

‘Anualmente, considerando nossa média de captações, contribuímos com cerca de R$ 1 bilhão. Arredondando, vamos antecipar R$ 5 bilhões’, explicou Tobias, destacando que a operação terá impacto de caixa.

Outra regra prevê uma alíquota extraordinária equivalente a 50% da alíquota tradicional. Segundo o CFO, isso deve representar algo entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões adicionais por ano em despesas financeiras.

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Ao comentar o caso, a CEO Tarciana Medeiros afirmou que o episódio traz aprendizados importantes para eventuais ajustes na legislação e na regulação, caso necessário.

‘Precisamos entender exatamente quais foram as falhas que levaram a esse desfecho. Elas ocorreram e precisam ser corrigidas. Acredito que o trabalho daqui para frente é de diálogo entre os agentes, para que se façam os ajustes necessários e que isso não volte a ocorrer’, afirmou.

Com Reuters

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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