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Banco do Brasil (BBAS3): BTG diz o que esperar para dividendos e calotes no agro; quando virá a inflexão?

12 jan 2026, 12:18 - atualizado em 12 jan 2026, 12:18
Banco do Brasil
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Banco do Brasil (BBAS3) entra em 2026 com mais perguntas do que respostas. Quando a inadimplência no agronegócio vai se normalizar? Em que momento do ano virá o chamado “trimestre da virada”? Ele de fato vai acontecer? E quando lucros e dividendos voltam a um patamar mais próximo do histórico?

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Com esse pano de fundo, analistas do BTG Pactual se reuniram com a gestão do banco para traçar as perspectivas para o próximo ano. A conclusão: a estatal ainda deve atravessar mais um ano de ajustes, embora melhor do que 2025, quando o lucro despencou 60%.

“Saímos da reunião com a clara impressão de que a visibilidade segue baixa. O primeiro semestre de 2026 ainda deve ser fortemente impactado por provisões”, escreveram os analistas.

Segundo o BTG, o segundo trimestre de 2026 será um ponto-chave para avaliar se o banco conseguirá entregar a inflexão tão aguardada pelos investidores. Isso porque o período marca os primeiros vencimentos de empréstimos da última safra, já concedidos sob uma nova política de crédito.

“Caso os pagamentos melhorem, o Banco do Brasil pode começar a ver uma recuperação mais consistente no segundo semestre de 2026”.

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Ainda assim, a recomendação segue neutra, com preço-alvo de R$ 25. Na avaliação do BTG, o banco busca elevar a rentabilidade crescendo de forma mais lenta do que no passado — um processo que tende a ser prolongado.

Outras instituições que enfrentaram deterioração relevante nos números, como Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4), levaram vários trimestres até apresentar uma recuperação mais consistente.

“Melhorar o ROE (retorno sobre o patrimônio) enquanto recompõe provisões e capital raramente é um processo rápido. Assim, apesar de um múltiplo P/VPA considerado ‘não exigente’, nossa expectativa de ROE de 13% em 2026 e um dividend yield inferior ao do Itaú (ITUB4) nos levam a reiterar a recomendação”, afirma o BTG.

MP atrasada

Diante da crise no campo, o governo reagiu com a Medida Provisória 1.314, que permite a renegociação de dívidas rurais em condições especiais. O programa soma R$ 12 bilhões e deve atender até 100 mil produtores, principalmente pequenos e médios.

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O Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) dará acesso a até R$ 250 mil em crédito, com taxa de 6% ao ano.

Outra ajuda veio do Banco Central, que alterou a Resolução nº 4.966/21, suavizando os critérios de cura para empréstimos com parcelas vencidas há mais de três meses.

Segundo a administração do BB, no entanto, a MP demorou mais do que o esperado para entrar em vigor. Durante a teleconferência do terceiro trimestre, a gestão havia demonstrado frustração com o ritmo lento de originação e renegociação de crédito.

“A boa notícia é que a execução melhorou, com o Banco do Brasil agora no caminho para atingir cerca de R$ 25 bilhões em desembolsos — o tamanho total do programa —, oferecendo mais prazo aos produtores para lidar com as pressões de caixa. Com os incentivos da MP, isso deve destravar algum alívio de capital no quarto trimestre de 2025”.

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E os dividendos?

Para quem espera uma recuperação rápida dos dividendos, a mensagem é clara: terá que esperar mais. Segundo o BTG, a administração reiterou que o payout de 2026 deve ficar em torno de 30%, ainda a ser definido.

A prioridade, segundo o banco, é a preservação de capital, especialmente diante de novos requisitos regulatórios que devem pressionar os índices de capital ao longo de 2026.

Além disso, a gestão reconheceu que o Banco do Brasil demorou a perceber que suas garantias não eram tão robustas, sobretudo em um cenário de aumento nos pedidos de recuperação judicial por produtores rurais.

“O banco dependia fortemente de hipotecas, enquanto pares — como o Itaú — já haviam migrado para estruturas de alienação fiduciária, que oferecem maior proteção e execução mais rápida”.

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Para corrigir essa fragilidade, o BB vem migrando os novos contratos para esse modelo. A mudança, porém, tem custo: torna a concessão de crédito mais burocrática e lenta, além de ainda não estar claro quão efetiva será a transição.

“O guidance revisado para 2025 já reflete um crescimento bem mais lento da carteira de agronegócio. O banco também afirmou que está desacelerando a originação de CPRs (Cédulas de Produto Rural)”.

O quarto trimestre pode surpreender?

Para não dizer que o cenário é totalmente negativo, o BTG avalia que os resultados do quarto trimestre de 2025 devem mostrar uma leve melhora na comparação sequencial.

Ainda assim, a alíquota efetiva de imposto deve permanecer próxima de zero — ou até positiva —, algo que, na visão do banco, está longe do ideal.

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Mesmo com essa melhora pontual, Marcelo Oliveira, de RI do BB, destacou que a inadimplência acima de 90 dias deve seguir em trajetória de alta. Para ele, os indicadores de inadimplência em estágio inicial serão as métricas mais relevantes a serem monitoradas nos próximos trimestres.

“A expectativa segue sendo de um primeiro semestre fortemente pressionado por provisões, com alguma esperança de melhora mais relevante apenas no segundo semestre”.

Junto com o resultado, os investidores também estarão atentos ao guidance para 2026.

“Sentimos que uma meta de ROE na casa dos médios dígitos (mid-teens) já parece relativamente otimista”, conclui o BTG.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. É também setorista de setor financeiro. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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