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Banco do Brasil (BBAS3): XP passa tesoura no preço-alvo de olho no agronegócio e pressões adicionais

06 jul 2026, 11:34 - atualizado em 06 jul 2026, 11:34
banco do brasil
(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

De olho nos resultados trimestrais e dados macroeconômicos recentes, a XP Investimentos cortou o preço-alvo do Banco do Brasil (BBAS3) de R$ 25 para R$ 21, o que implica em um potencial de alta de cerca de 5% ante o preço do último fechamento. A recomendação para a ação permanece neutra.

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Tendo em vista os custos de crédito ainda pressionados, flexibilidade de capital mais restrita e um ciclo do agronegócio que segue apresentando dinâmica desfavorável, a equipe de analistas liderada por Bernardo Guttmann vê poucos catalisadores capazes de impulsionar uma reprecificação positiva da ação no curto prazo.

“Embora a ação não apresente uma assimetria suficientemente negativa para justificar uma recomendação de venda, a combinação de riscos de execução persistentes e de um ambiente de crédito ainda desafiador nos mantém cautelosos em relação ao caso de investimento neste momento”, diz a XP.

No radar de principais riscos dos analistas, está uma deterioração adicional do agronegócio, piora das condições macroeconômicas e restrições de capital.

A tese para o Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil enfrenta há alguns trimestres pressão e queda nos resultados, em razão da combinação entre o aumento da inadimplência no agronegócio e a entrada em vigor da Resolução CMN nº 4.966/2021, que levou os bancos a reforçarem as provisões para perdas com crédito.

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Neste cenário, a tese da XP Investimentos se baseia em um ciclo de ajuste mais prolongado no segmento agro, com a assimetria negativa ainda predominando a perspectiva, à medida que as margens dos produtores seguem pressionadas e a normalização da qualidade dos ativos leva mais tempo do que inicialmente esperado.

Somado a isso, os analistas consideram uma pressão adicional vinda da carteira de pessoas físicas, especialmente entre clientes ligados ao agronegócio e em produtos sem garantia.

Por fim, a tese incorpora um potencial de alta limitado, aliado à ausência de catalisadores de curto prazo para re-rating, diante de custo de crédito elevado, menor flexibilidade de capital e um cenário macroeconômico ainda desafiador.

“Com um potencial de alta de apenas cerca 5% até nosso preço-alvo, continuamos enxergando uma assimetria negativa de riscos, uma vez que a pressão persistente sobre a qualidade do crédito pode continuar impactando os resultados”, dizem os analistas.

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A XP destaca ainda que o Banco do Brasil negocia a cerca de 6,3 vezes o preço sobre o lucro para 2026, acima de sua média histórica (cerca de 5 vezes), refletindo principalmente a deterioração dos lucros, e não uma melhora dos fundamentos.

Além do agro

Ainda que o agro seja um aspecto reconhecido capaz de pressionar o Banco do Brasil, os analistas da casa ponderam que outras carteiras também adicionam pressão, parcialmente compensada pelo desempenho da tesouraria. Vale lembrar que o segmento vem pressionando os balanços da instituição trimestre após trimestre e tem sido o principal ponto de atenção entre analistas e investidores.

A XP observa um aumento das pressões no segmento de pessoas físicas, especialmente entre clientes ligados à atividade rural e em produtos sem garantia de maior rendimento, o que pode exigir provisões adicionais caso as tendências de crédito não melhorem.

Mesmo com expectativas de uma normalização gradual da qualidade de crédito, a visão é de um ciclo de recuperação mais prolongado para o agronegócio brasileiro.

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Os preços das commodities permanecem deprimidos, o real se fortaleceu, as despesas financeiras continuam elevadas e os dados de recuperações judiciais de abril sugerem que o estresse financeiro entre os produtores ainda é relevante.

“Embora as safras mais recentes da carteira do BB se beneficiem de critérios de concessão mais rigorosos e de estruturas de garantias mais robustas, acreditamos que a carteira legado continuará absorvendo os efeitos defasados da deterioração do ciclo, mantendo a qualidade dos ativos sob pressão”, diz a XP.

“Por outro lado, receitas mais fortes da tesouraria em um ambiente de juros ainda elevados, combinadas com controle disciplinado de custos e eficiência operacional resiliente, devem ajudar a compensar parte desses ventos contrários. Como resultado, esperamos que os resultados permaneçam mais próximos da faixa inferior do guidance (projeção)”, dizem os analistas.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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