HSBC liga sinal amarelo para o Brasil e vê eleições como principal risco para o mercado
O HSBC continua vendo a América Latina como uma região relativamente atraente para investimentos, mas avalia que os riscos estão cada vez mais divergentes entre os países. Nesse contexto, o banco adotou uma postura mais cautelosa em relação ao Brasil, citando o aumento das incertezas políticas e fiscais às vésperas das eleições presidenciais de outubro.
Segundo relatório, a disputa eleitoral passou a ocupar o centro das atenções dos mercados. Os analistas observam que pesquisas recentes indicam uma melhora no desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que tem levado investidores a reavaliar os riscos associados ao cenário econômico a partir de 2027.
O HSBC destaca que Lula tem sido favorecido por uma agenda voltada ao estímulo da atividade econômica, incluindo programas de renegociação de dívidas das famílias, ampliação do crédito imobiliário e medidas para conter os efeitos da alta dos combustíveis.
Ao mesmo tempo, pondera que o quadro eleitoral ainda está longe de definido, já que a campanha oficial sequer começou e a composição da disputa pode mudar nos próximos meses.
O principal foco de preocupação não está na eleição em si, mas nas sinalizações sobre a política econômica do próximo governo. Os analistas chamam atenção para a ausência, até o momento, de propostas concretas voltadas ao controle dos gastos públicos e ao equilíbrio fiscal de longo prazo.
Na avaliação do HSBC, caso as dúvidas sobre a trajetória fiscal persistam, o mercado pode exigir prêmios maiores para financiar a dívida pública, pressionando os juros de longo prazo, enfraquecendo o real frente ao dólar e aumentando a volatilidade dos ativos brasileiros.
Embora considere prematuro precificar um resultado eleitoral específico, o banco afirma que o ambiente deve continuar marcado por elevada incerteza nos próximos meses. Por isso, vê risco de períodos de desempenho inferior dos ativos brasileiros no segundo semestre, especialmente no câmbio e no mercado de juros.
Ao mesmo tempo em que adota uma postura mais defensiva em relação ao Brasil, o HSBC demonstra maior otimismo com os países andinos. Chile, Colômbia e Peru aparecem entre os mercados favoritos do banco, impulsionados por expectativas de reformas consideradas mais amigáveis aos investidores e por um cenário político visto como mais favorável.
*Com supervisão de Juliana Américo