BB Seguridade (BBSE3): Lucro fica acima do esperado, mas sentimento de cautela permanece; o que fazer com a ação?
As ações do BB Seguridade (BBSE3) operavam em leve alta no Ibovespa (IBOV) por volta de 11h30 (horário de Brasília), com avanço de 0,85%, cotadas a R$ 41,71, após a seguradora divulgar lucro de R$ 2,2 bilhões referente ao segundo trimestre de 2026, queda de 4% em relação ao mesmo período do ano passado.
A cifra ficou pouco acima das expectativas da Bloomberg, que projetava lucro de R$ 2,1 bilhões.
Os analistas Marcelo Mizrahi, do Bradesco BBI, e Ricardo França, da Ágora Investimentos, destacam que os resultados vieram amplamente em linha com as expectativas das casas.
O segmento de seguros chegou a superar ligeiramente as estimativas, apoiado por índices de sinistralidade abaixo do esperado na carteira de agronegócio e por uma alíquota efetiva de imposto mais favorável. Por outro lado, o negócio de previdência ficou abaixo das projeções devido a um resultado financeiro mais fraco.
“Mantemos nossa recomendação Neutra, apesar de a empresa continuar apresentando desempenho acima de seu guidance para o resultado operacional não financeiro. Dito isso, os resultados mostraram uma deterioração nas tendências de sinistralidade nos segmentos de seguro de vida e seguro prestamista”, dizem os analistas.
De olho no futuro, a leitura é de que que a BB Seguridade provavelmente continuará pressionada pelo ritmo comercial mais fraco no Banco do Brasil, o que deve continuar impactando a produção de prêmios e o crescimento geral dos negócios.
O Citi também tem recomendação neutra para o BB Seguridade, de olho em um trimestre com prêmios fracos e resultados financeiros pressionando o desempenho
A BB Seguridade entregou um trimestre amplamente em linha com as expectativas moderadas. Embora a BrasilSeg tenha se beneficiado de uma sinistralidade inferior à esperada, a originação de prêmios decepcionou, refletindo a contínua fraqueza em seu principal negócio, o segmento rural.
Como resultado, os prêmios totais estão caminhando abaixo da faixa do guidance da companhia para 2026, de -3% a +2% na comparação anual, atualmente acumulando queda de 3,5% na comparação anual, destaca o Citi.
Embora a sinistralidade tenha ficado abaixo da projeção do banco, tanto a severidade quanto a frequência dos sinistros do seguro prestamista aumentaram, o que pode representar uma leitura negativa para o setor como um todo.
Na BrasilPrev, os descasamentos entre índices pressionaram os resultados financeiros neste trimestre, mas podem se tornar um fator positivo no terceiro trimestre, a depender das condições de mercado.
“Permanecemos de fora do papel, enquanto as ações devem continuar pressionadas pela visibilidade limitada sobre o ciclo de crédito rural, e a incerteza em torno da próxima renovação do acordo de parceria com o Banco do Brasil continua pesando sobre a tese de investimento”, diz o banco.
Perda de ritmo no radar
Analistas do Bank of America (BofA) pontuam que o lucro líquido do BB Seguridade veio em linha com as estimativas do banco, uma vez que o resultado financeiro mais fraco compensou tendências operacionais mehores.
“As receitas não financeiras no primeiro semestre permaneceram estáveis em relação ao ano anterior, enquanto a administração manteve o guidance de queda de 3% a 7% em 2026, sugerindo desaceleração no segundo semestre”, ponderam os analistas do banco.
Os prêmios emitidos estão recuando em ritmo um pouco mais acelerado do que o indicado pelo guidance, o que coloca em risco nossa estimativa de lucro líquido para 2027. O BofA mantém a recomendação Underperform (equivalente à venda).
O Itaú BBA também mantém classificação Underperform para BBSE3, diante da fraqueza das tendências de lucros no curto prazo e, provavelmente, também no médio prazo, mesmo com múltiplos considerados justos.
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O 2T26 do BB Seguridade
No ano, a seguradora do Banco do Brasil (BBAS3) vem sendo questionada pelo mercado diante da queda dos prêmios da BrasilSeg, cenário agravado pela piora das condições do agronegócio.
Segundo a corretora, os principais fatores que levaram à redução de R$ 88,4 milhões no lucro foram:
- queda do resultado financeiro da Brasilprev, divisão de previdência da companhia, devido à marcação a mercado negativa de títulos públicos e ao avanço do IGP-M em ritmo mais acelerado do que o IPCA;
- números mais fracos da BB Corretora, com menores receitas de corretagem, especialmente no segmento de capitalização;
- desempenho mais fraco da BrasilSeg, principal unidade de negócios, com redução do prêmio ganho e maiores despesas financeiras.
O resultado poderia ter sido pior, não fossem as maiores receitas com aplicações financeiras na holding BB Seguridade, impulsionadas pelo aumento do volume de recursos financeiros.
O que fazer com as ações?
| Banco/Corretora | Recomendação | Preço-alvo |
| Bradesco BBI/Ágora Investimentos | Neutra | — |
| Itaú BBA | Underperform | R$ 32 |
| Bank of America | Underperfom | R$ 40 |
| Citi | Neutra | R$ 36 |