BB Seguridade (BBSE3) vê pouco impacto por El Niño este ano, mas aponta risco para 2027
A BB Seguridade (BBSE3) está trabalhando com avaliação de que o fenômeno climático El Niño deve gerar efeitos pouco relevantes para seus resultados neste ano, embora veja riscos para 2027, a depender de como as chuvas vão impactar o setor agrícola no centro-sul do país.
A unidade de seguros e previdência do Banco do Brasil (BBAS3) não espera um impacto material do fenômeno em 2026, mas para 2027 “potencialmente” pode haver efeitos sobre o milho segunda safra, disse o vice-presidente financeiro, Rafael Sperendio, em conferência com analistas após publicação de resultados de segundo trimestre da empresa na noite da véspera.
“Para 2026, esse excesso de chuva no centro-sul pode impactar mais na sinistralidade na carteira de danos. Para o segmento agrícola precisa olhar para um horizonte mais longo”, afirmou Sperendio.
“Para 2026, vemos pouco impacto do El Niño. A safra de verão já foi colhida, a safra de inverno já está em fase bastante avançada, sem nenhum ponto de atenção”, acrescentou.
“Mas dependendo da severidade do impacto e a forma como ele afetará plantio, para 2027, potencialmente, (poderá haver efeitos) sobre milho segunda safra. Temos que olhar o nível de chuvas entre setembro e novembro deste ano.”
As ações da BB Seguridade subiam 1,6% às 12h36 (de Brasília) nesta terça-feira (4), enquanto o Ibovespa mostrava oscilação positiva de 0,26%.
O presidente-executivo da BB Seguridade, Delano de Andrade, afirmou que a recém aprovada medida provisória que facilita renegociação de dívidas do setor agrícola deve ajudar nos negócios da companhia nos próximos meses, ao trazer potenciais clientes de seguro. Mas Andrade comentou que a BB Seguridade vai trabalhar com “bastante cuidado e cautela”.
As dívidas do setor rural têm pesado sobre os resultados do Banco do Brasil nos últimos trimestres. O governo federal atendeu a pedidos do setor para ajuda em refinanciamentos e editou em julho uma medida provisória que autoriza linhas de crédito especial com juros de 5% a 12% e prazo de até 10 anos para pagamento.
Sperendio disse que não é possível quantificar impacto da MP sobre a BB Seguridade, mas citou que a medida tirou a incerteza que pesava sobre o setor agrícola na contratação de novos empréstimos, e, por consequência, novos seguros.