Small caps

Bemobi (BMOB3) quer manter payout de 100% e vê espaço para dobrar de tamanho

19 maio 2026, 7:01 - atualizado em 18 maio 2026, 18:17
CEO da Bemobi, Pedro Ripper. (Divulgação)
CEO da Bemobi, Pedro Ripper. (Divulgação)

O cofundador e CEO da Bemobi (BMOB3), Pedro Ripper, afirmou ao Money Times que a companhia segue confortável em manter uma política de distribuição de dividendos equivalente a 100% do lucro nos próximos 12 meses, mesmo preservando crescimento acelerado e espaço para aquisições.

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Segundo Ripper, o modelo “asset light” da empresa, com baixa necessidade de investimentos pesados, permite equilibrar expansão, manutenção de margens e forte geração de caixa. A companhia realizou payout de 100% no último ano e pretende repetir a estratégia.

“O que eu não vou prometer é fazer mais de 100% do lucro, porque eu quero ter latitude se aparecer um bom negócio de M&A”, afirmou.

Transformação do modelo de negócio

A Bemobi é uma empresa de tecnologia que desenvolve soluções de pagamentos digitais, software e serviços financeiros para setores como telecomunicações, energia, educação e saúde, ajudando empresas a digitalizar cobranças. A companhia atende clientes como Hapvida e Yduqs.

Mas esse perfil é resultado de uma transformação iniciada pouco antes do IPO da companhia, em 2021. Até então, o principal negócio da Bemobi era ligado a pagamentos alternativos para aplicativos móveis, usando o saldo pré-pago de operadoras como meio de pagamento para apps e jogos em países com baixa penetração de cartão de crédito.

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A companhia percebeu, porém, que esse mercado mudaria rapidamente com a digitalização acelerada do Brasil a partir de 2020, impulsionada pela pandemia, pelo lançamento do Pix e pela expansão das fintechs. Com mais pessoas bancarizadas e usando cartões e meios digitais, o modelo antigo perderia relevância ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, a empresa identificou uma oportunidade em setores da economia real que ainda operavam com sistemas pouco digitalizados, baseados principalmente em boletos. Foi nesse contexto que a Bemobi passou a investir em uma nova frente de “pagamentos verticais”, especializada em modernizar toda a jornada de cobrança de empresas de serviços recorrentes, como contas de luz, água, telefonia, educação e saúde.

Desde o IPO, a companhia realizou aquisições e expandiu essa operação, que hoje já representa cerca de 70% do negócio.

“A gente acha que a empresa, da mesma maneira que dobrou nos últimos quatro anos, é viável dobrar de novo em três ou quatro anos”, afirmou Pedro Ripper. “Isso não é um guidance, mas é mais ou menos um número que a gente já comentou algumas vezes em reuniões com investidores, que é altamente factível“.

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Empresas ainda dependem de boletos

O CEO destacou que muitos serviços essenciais ainda dependem de boletos e processos considerados antigos. Para ele, existe espaço relevante para modernizar toda a jornada de pagamentos, desde a apresentação da cobrança até a liquidação financeira.

Entre os novos mercados avaliados estão condomínios, seguros de vida e previdência privada.

Outra frente de crescimento é o mercado de ecossistemas empresariais, impulsionado pela aquisição da Paytime no fim de 2025. Segundo Ripper, a estratégia é desenvolver soluções integradas para franquias, distribuidores e grandes redes empresariais.

A estratégia da Bemobi tem refletido nas ações da Bolsa: a empresa é uma das poucas “techs” brasileiras que não derreteram no pós-IPO, apesar de desde então registrar uma alta discreta de 13%.

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O CEO da companhia lembra que empresas de menor capitalização continuam penalizadas pela baixa liquidez da bolsa brasileira em um cenário de juros elevados, mas diz ver potencial de valorização caso haja queda dos juros e retorno de fluxo para small caps.

O CEO destacou que investidores acompanham principalmente o crescimento da divisão de pagamentos e software, observando indicadores como TPV, take rate e margem operacional. Segundo ele, a Bemobi consegue ampliar receitas sem elevar custos na mesma proporção, fortalecendo a alavancagem operacional.

Mercado já está pronto para pagamentos digitais

Para o CEO, o consumidor brasileiro já está preparado para jornadas digitais no pagamento de contas recorrentes. O desafio agora, segundo ele, é convencer empresas tradicionais a modernizar seus sistemas.

“A mesma pessoa que compra um pacote de pilha no Mercado Livre e usa o cartão é a mesma pessoa que paga a conta de luz”, afirmou.

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Ripper disse que consumidores preferem receber contas digitalmente e realizar pagamentos com poucos cliques, enquanto empresas de utilities ainda enfrentam altos custos operacionais com inadimplência, cobrança e cortes físicos de serviço.

Segundo ele, soluções como parcelamento, carteiras digitais e pagamentos automatizados ajudam a reduzir inadimplência e melhorar a experiência do cliente.

O executivo afirmou ainda que cerca de 60% do crescimento esperado para 2026 deve vir da expansão dentro da própria base de clientes, enquanto entre 30% e 40% devem ser provenientes de novos contratos.

Ripper afirmou que a estratégia de fusões e aquisições continuará relevante, mas o crescimento deve, segundo ele, ocorrer mais de forma orgânica. “A aquisição é menos um tema de empilhar receita e mais de acelerar a entrada em novos mercados”, afirmou.

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O executivo disse que a companhia já realizou sete aquisições e seguirá avaliando oportunidades com sinergias claras. “Um mais um tem que dar materialmente mais que dois”, disse.

O que dizem os analistas

Para o BTG Pactual, a Bemobi combina crescimento acelerado, rentabilidade e retorno ao acionista, algo raro no setor de tecnologia brasileiro. O banco vê o valuation atrativo, com a companhia negociando a cerca de 12 vezes o lucro estimado para 2026, patamar considerado barato diante do ritmo de crescimento e do histórico de resultados acima das expectativas.

Após o balanço do primeiro trimestre, divulgado na terça-feira (12) passada, o BTG avaliou que os números devem gerar revisões positivas das estimativas de consenso e seguir sustentando o desempenho das ações.

A Bemobi registrou lucro líquido ajustado de R$ 37,3 milhões no 1T26, alta de 21% na comparação anual. A receita líquida, desconsiderando Paytime, somou R$ 199,8 milhões, avanço de 20% em um ano.

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Na avaliação do BTG, a companhia entregou mais um trimestre forte, com crescimento orgânico acelerado, expansão de margens e resultados acima das projeções do banco. O destaque ficou para as divisões de Pagamentos e SaaS, que cresceram 41% e 25%, respectivamente.

O BTG também ressaltou que este foi o oitavo trimestre consecutivo de crescimento acelerado anual da companhia. A margem Ebitda atingiu 35%, com expansão de 110 pontos-base em relação ao ano anterior, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 69,9 milhões, alta de 24% e acima das estimativas do banco.

O avanço operacional foi sustentado pela expansão em segmentos como Telecom, Educação e Serviços Básicos, além da conquista de novos contratos, incluindo Algar, Chilquinta, Grau Técnico e novas unidades da Unimed.

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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
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