Boi: lucro no confinamento supera R$ 1 mil por cabeça, afirma Ponta Agro
Mesmo com a queda dos preços da arroba do boi em junho, a rentabilidade do confinamento bovino permaneceu acima de R$ 1 mil por cabeça nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, de acordo com o Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap), divulgado pela Ponta Agro. O desempenho foi sustentado pela redução dos custos de produção e pelo ganho de eficiência dentro das propriedades.
Segundo o levantamento, o lucro estimado foi de R$ 1.053,25 por cabeça no Centro-Oeste, alta de 1,56% em relação ao mês anterior, e de R$ 1.007,41 por cabeça no Sudeste, queda de 10,36%. No mesmo período, a arroba do boi gordo recuou 5,69% no Centro-Oeste e 3,35% no Sudeste.
Ainda assim, o Centro-Oeste voltou a liderar a lucratividade graças à redução de 9,93% no custo da arroba produzida e ao menor tempo de permanência dos animais no confinamento. No mercado do “boi China”, o lucro estimado alcançou R$ 1.118,53 por cabeça no Centro-Oeste, ante R$ 1.072,18 no Sudeste.
“O principal destaque de junho é que a lucratividade do confinamento deixou de depender exclusivamente da valorização da arroba”, afirma a Ponta Agro. De acordo com a empresa, “a eficiência produtiva passou a sustentar a margem da atividade, reduzindo o peso da alimentação sobre o custo total da arroba produzida”.
O boletim destaca que essa mudança é resultado da redução estrutural dos custos alimentares observada nos últimos dois anos. Em junho de 2024, uma arroba de boi gordo era suficiente para pagar 14,47 dias de alimentação no Centro-Oeste e 18,89 dias no Sudeste. Atualmente, esse indicador passou para 25,06 dias e 28,12 dias, respectivamente.
Com isso, o custo da nutrição, que antes consumia até 89,1% da receita gerada por uma arroba, hoje representa pouco mais da metade desse valor nas duas regiões, ampliando a margem da atividade.
O Icap também mostrou comportamentos distintos nos custos alimentares das duas principais regiões de confinamento do País. No Centro-Oeste, o índice ficou em R$ 12,91 por cabeça ao dia, alta de 0,62% em relação a maio, enquanto no Sudeste caiu para R$ 11,79 por cabeça ao dia, recuo de 2,23% e menor nível registrado em 2026.
Apesar de manter o menor custo alimentar pelo quarto mês consecutivo, o Sudeste perdeu competitividade em razão do maior custo da arroba produzida e do perfil dos animais abatidos.
No Centro-Oeste, o custo total da dieta de terminação encerrou junho 4,16% abaixo da média do trimestre. A principal contribuição veio da forte queda dos volumosos (-37,13%), seguida pelos energéticos (-8,25%), refletindo o avanço da colheita da safrinha e a maior oferta de alimentos. Entre os destaques, a casca de algodão caiu 51,7%, enquanto o milho grão seco ficou 8% abaixo da média trimestral.
Já no Sudeste, a dieta terminou junho 1,08% abaixo da média do trimestre, impulsionada principalmente pela queda dos insumos proteicos (-2,83%). Em contrapartida, os volumosos registraram alta de 15,8%, influenciados pelo encarecimento das silagens, enquanto o milho permaneceu pressionado, em razão de a colheita da safrinha ainda não ter reduzido os preços na região.