Empresas

Em crise, Oncoclínicas (ONCO3) tenta rescindir contrato de imóvel com fundo imobiliário

10 jul 2026, 12:28 - atualizado em 10 jul 2026, 12:33
oncoclínicas
oncoclínicas (Imagem: Divulgação)

O Tellus Healthcare & Mixed-Use FII informou ao mercado que recebeu uma comunicação da Oncoclínicas (ONCO3) sobre a rescisão antecipada de um contrato de locação atípico na modalidade built-to-suit, quando o imóvel é construído sob medida para o locatário.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O contrato envolve o imóvel localizado na Avenida Angélica, na Consolação, em São Paulo. Segundo o fundo, a locatária estava em atraso no pagamento de um aluguel quando enviou a comunicação, em 29 de junho de 2026.

O imóvel é relevante porque os créditos imobiliários ligados ao contrato lastreiam Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) da 157ª emissão da Riza Securitizadora.

Na prática, investidores compraram um papel cuja remuneração depende, direta ou indiretamente, do fluxo de pagamento desse contrato. Uma rescisão antecipada ou inadimplência da locatária pode pressionar a estrutura.

O FII afirmou que não concordou com a rescisão antecipada pretendida pela locatária e que também não renunciou a nenhum direito previsto no contrato. A gestão disse que seguirá cobrando o cumprimento integral das obrigações, incluindo eventual multa rescisória, créditos em aberto e garantias vinculadas à locação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar da disputa, o Tellus Healthcare afirmou que tem capacidade para cumprir suas obrigações legais e contratuais, especialmente aquelas assumidas perante a securitizadora e os titulares do CRI. O fundo não informou, no fato relevante, o valor do aluguel em atraso, da multa rescisória ou o impacto financeiro estimado da rescisão.

A tentativa de rescisão ocorre em um momento de forte pressão financeira sobre a Oncoclínicas. A companhia negocia a reestruturação de aproximadamente R$ 4 bilhões em dívidas com credores e discute um plano de recuperação extrajudicial, após as assembleias de debenturistas convocadas nesta semana não serem instaladas por falta de quórum.

A crise foi agravada pela exposição ao Banco Master. A Oncoclínicas mantinha cerca de R$ 478 milhões aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) da instituição quando o banco entrou em liquidação extrajudicial pelo Banco Central, reduzindo a liquidez da companhia e pressionando seu caixa. Como parte das medidas para recuperar recursos, a empresa busca exercer uma opção de compra de participações acionárias detidas por fundos ligados ao Master.

No primeiro trimestre de 2026, a Oncoclínicas registrou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões e dívida líquida próxima de R$ 4 bilhões. A companhia também reconheceu dificuldades de caixa, que chegaram a afetar o abastecimento de medicamentos em parte de sua rede, enquanto busca renegociar seu passivo e reforçar sua estrutura de capital.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar