Mercados

Bolsa em liquidação? No pânico, não é tão óbvio que ‘caiu, comprou’, avalia fundador do Market Makers

26 out 2026, 14:15
Queda bolsa
(Imagem: iStock/peshkov)

“É um momento de disfuncionalidade mesmo, não é tão óbvio o ‘caiu, comprou’”. A avaliação feita por Thiago Salomão, fundador do Market Makers, durante a edição especial do Risco Brasil, em seu canal no Youtube, resume o dilema de quem procura oportunidades no tombo dos ativos brasileiros: mesmo ações de empresas sólidas podem continuar caindo quando investidores precisam vender para levantar dinheiro.

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Na transmissão desta segunda-feira (26), Salomão e o economista Henrique Esteter receberam Matheus Spiess, estrategista da Empiricus, e Economista Sincero para acompanhar a abertura do mercado após as eleições. Na discussão, o alerta foi que preços menores precisam ser avaliados à luz de um cenário também mais difícil para os negócios.

Em momentos de estresse, a pressão sobre as cotações pode vir de resgates em fundos, da redução da exposição ao Brasil e do encerramento de operações alavancadas — aquelas em que o investidor assume uma exposição superior ao capital disponível.

Isso significa que uma ação pode cair tanto pela piora das perspectivas da empresa quanto pela necessidade de seus investidores de conseguir dinheiro rapidamente. E esses movimentos podem acontecer ao mesmo tempo.

Empresa boa também sente juros altos

Durante a live, a Localiza (RENT3) foi citada como exemplo da dificuldade de separar uma oportunidade de uma mudança nas condições da economia. De um lado, uma queda expressiva pode tornar uma companhia mais atraente. De outro, juros elevados por mais tempo podem pressionar seus resultados e justificar parte da desvalorização.

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O Economista Sincero chamou atenção para o risco enfrentado por empresas que dependem de crédito para manter suas operações e financiar o crescimento.

“Tem empresa que não vai aguentar mais três anos de juros extremamente elevados sem uma perspectiva de queda”, afirmou.

O custo do financiamento é apenas uma parte da conta. Juros altos também podem enfraquecer o consumo, dificultar a renegociação de dívidas e reduzir o espaço para investimentos.

Na avaliação apresentada por Matheus Spiess, o ambiente tende a favorecer uma busca por companhias robustas e exportadoras, enquanto empresas muito endividadas e ações de menor valor de mercado podem perder espaço nas carteiras.

Quando o investidor precisa vender

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Outro ponto da discussão foi o risco de transformar uma expectativa eleitoral em uma aposta concentrada, especialmente com o uso de derivativos e alavancagem.

Uma mudança brusca nos preços pode exigir que o investidor apresente garantias adicionais para manter suas operações. Se não tiver recursos, ele pode precisar encerrar posições em condições desfavoráveis.

“Tem gente perdendo tudo e tem gente que vai ficar devendo”, alertou o Economista Sincero durante a transmissão.

Segundo ele, um salto entre o preço anterior e aquele em que o ativo volta a negociar pode dificultar a saída da operação. É o chamado gap, que faz com que o investidor não consiga necessariamente vender pelo valor que havia planejado.

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Esse tipo de venda forçada ajuda a ampliar a pressão sobre os ativos e torna mais difícil identificar um piso para as cotações.

Para quem busca oportunidades, a discussão deixa um ponto central: a queda do preço, sozinha, não basta para concluir que uma ação ficou barata. É preciso avaliar o endividamento, a geração de caixa e a capacidade da companhia de atravessar um período de crédito caro e atividade mais fraca.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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