FMI: Dívida do Brasil deve ultrapassar 100% do PIB em poucos anos – e conflitos globais só pioram a situação
O Brasil caminha para ultrapassar o nível de 100% da dívida em relação ao PIB nos próximos anos, em um cenário global mais adverso, marcado por juros elevados e menor tolerância ao risco, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com o relatório Fiscal Monitor, divulgado nesta quarta-feira (15), a dívida bruta do país deve saltar de 93,3% do PIB, em 2025, para cerca de 106,5% até 2031, consolidando uma trajetória de alta em meio a déficits fiscais persistentes. Ao mesmo tempo, o rombo nas contas públicas deve permanecer elevado, girando em torno de 6% a 8% do PIB ao longo dos próximos anos.
O diagnóstico do FMI vem em um momento em que o ambiente externo se torna mais desafiador para economias emergentes. Com juros globais mais altos e maior sensibilidade dos mercados ao risco fiscal, países com endividamento elevado e desequilíbrios nas contas públicas tendem a enfrentar custos mais altos para financiar suas dívidas.
No caso brasileiro, esse cenário amplia a pressão sobre a política fiscal. Isso porque uma parcela relevante do déficit está associada ao pagamento de juros, que cresce à medida que o custo de financiamento permanece elevado. Na prática, isso reduz o espaço para gastos e dificulta o processo de estabilização da dívida.
Além disso, o FMI destaca que o espaço fiscal global está cada vez mais limitado. A chamada “folga fiscal”, que é a diferença entre o resultado atual e o necessário para estabilizar a dívida, praticamente desapareceu nos últimos anos, o que indica menor margem para absorver choques econômicos.
Para economias emergentes como o Brasil, o FMI avalia que será necessário avançar em medidas que reforcem a credibilidade fiscal. Entre as recomendações estão a ampliação da base tributária, a revisão de subsídios e a adoção de planos de médio prazo mais consistentes para o controle das contas públicas.
O alerta ganha ainda mais relevância diante de um cenário internacional mais volátil, com riscos associados a conflitos geopolíticos, pressões inflacionárias e mudanças na dinâmica dos mercados de dívida. Nesse contexto, países com fundamentos fiscais mais frágeis tendem a ser os mais impactados.