Brasil fica fora de lista de países que podem exportar carne e produtos de origem animal para União Europeia
A União Europeia deixou o Brasil fora de uma lista de países autorizados a continuar exportando carne e produtos de origem animal para o bloco nesta terça-feira (12).
A lista, que proíbe embarques a partir de 3 de setembro, é uma atualização para as nações que cumprem regras e normas do bloco contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária, que segundo a UE, o Brasil não atende.
No Mercosul, Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem com autorização para exportar.
De acordo com dados do Ministério da Agricultura, o Brasil exportou no ano passado US$ 1,8 bilhão em carnes para a UE, segundo maior destino das proteínas, atrás apenas da China com US$ 9,8 bilhões.
Até 2024, o Brasil tinha autorização para exportar cortes de boi, frango e cavalo, além de mel e peixes, mas a nova diretriz interrompe esse fluxo caso a conformidade técnica não seja comprovada em todo o ciclo de vida dos animais.
A porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, confirmou, em entrevista à imprensa, que a ausência na lista impede o país de exportar mercadorias como bovinos, equinos, aves, ovos e produtos de aquicultura, ressaltando que o bloco mantém diálogo com as autoridades brasileiras para resolver as pendências de segurança.
A remoção acontece pouco mais de uma semana após o acordo entre Mercosul e União Europeia entrar em vigor, no dia 1º de maio. O pacto foi bastante criticado por agricultores e ambientalistas da UE, principalmente na França.
O comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, defende que os produtores europeus seguem os padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo, um parâmetro, que segundo ele, também precisa ser seguido pelos países que exportam ao bloco.
Para ser reincluído na lista, o governo brasileiro deve garantir o cumprimento das restrições ao uso de agentes reservados para infecções humanas, permitindo a retomada das vendas assim que as garantias de conformidade forem validadas por auditorias técnicas.
*Com informações do Broadcast