Economia

Brasil pode levar até três décadas para absorver o impacto financeiro do fim da jornada 6×1, diz CNI

04 set 2026, 14:21
Logo ca CNI (Imagem: Divulgação)
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A proposta de extinção do modelo de trabalho 6×1 que hoje tramita dentro do Senado, pode impor um severo estrangulamento de competitividade à economia brasileira.

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Um levantamento técnico divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a mudança provocará um encolhimento imediato de 7,8% no volume total de horas trabalhadas no país, exigindo uma reação de eficiência que a estrutura local dificilmente conseguirá entregar no curto prazo.

De acordo com o estudo, para reequilibrar as contas operacionais e retornar os níveis de produção aos mesmos níveis de antes do fim da 6×1 (e sem aplicar reduções salariais) será necessário um avanço imediato de 8,3% a 8,5% na produtividade.

A realidade, entretanto, impõe um desafio que pode se arrastar por até 30 anos. Levando em conta a produção nacional por hora trabalhada de 1981 até 2024, a produtividade cresceu uma média de 0,5% ao ano. Levando em conta os últimos seis anos, o número é de apenas 0,28%.

Em outras palavras, para recompor a perda da produtividade, seriam necessários de 17 a 30 anos, segundo a CNI.

Setores intensivos e posição global

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O impacto nas margens financeiras tende a ser ainda mais pronunciado em setores estratégicos do setor privado, exigindo saltos de produtividade ainda mais robustos.

O levantamento aponta que o setor agropecuário precisará de um ganho de eficiência de 13,6% para cobrir a redução horária. Já o comércio requer um avanço produtivo de 10,6% para não colapsar as margens de rentabilidade.

Em um comparativo global feito pela CNI, o Brasil ocupa atualmente a 100ª posição mundial em capacidade de produção por trabalhador e a 91ª colocação no rendimento por hora trabalhada.

A avaliação da liderança da CNI

Diante dos indicadores, o presidente da CNI, Ricardo Alban, faz um alerta sobre a sustentabilidade do modelo em debate no Congresso Nacional.

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Segundo o executivo, o avanço da pauta sem o devido respaldo estrutural comprometerá diretamente o ecossistema corporativo.

“O desempenho brasileiro mostra que a redução do tempo de trabalho só é sustentável se houver condições que permitam elevar a eficiência econômica. O desafio é bem maior do que condensar em menos tempo o mesmo esforço. São necessárias condições estruturais capazes de tornar o trabalho mais eficiente. E esse ainda é um desafio importante para o Brasil”, declara Alban.

O presidente da entidade reforça que os desdobramentos de uma imposição legal recairão sobre todo o mercado: “Não existe redução de jornada imposta por lei que não afete empregos, salários e produção. Nos três cenários, os trabalhadores perdem”.

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Matheus Marques é estudante de jornalismo no IESB. Ele atua como estagiário em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Matheus Marques é estudante de jornalismo no IESB. Ele atua como estagiário em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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